Desocupada. Desempregada. Desesperada. Desatinada. Desafiada. Despenteada. E assim é que a minha vida ganha um prefixo “DES”. Talvez por obra do DEStino. Ou talvez por conta dos caminhos tortuosos que agora eu encontro e não sei me entregar.
Às vezes tenho medo de ser eternamente um Quixote, brigando com os mesmos moinhos de vento. Às vezes tenho medo de comprar a crueldade do mundo e vender a minha alma na esquina. Às vezes não sei o que fazer e choro.
Espero o tempo passar olhando um quadro de Dali. É um relógio que derrete e se chama Paciência. Paciência, a minha vida parece mais surreal do que isso. E o tempo agora não passa.
Eu ando vagando com os mesmos passos, me entupindo com outros projetos, na tentativa infame de me projetar também. Mas o que a vida me mostra, é que ela é obra sem rascunho. E que não importa a perfeição do esboço, a realidade sai sempre borrada. Não vale a pena viver dos sonhos. Porque meu sobrenome é projeto?
Corro desesperada, sem ter a certeza que saio do lugar. Mando meu currículo para o inferno. Mas nada acontece.
Nada acontece.
Desocupada. Desempregada.Desesperada.
Esqueço de mim e ando à deriva.
domingo, março 25, 2007
terça-feira, março 06, 2007
Concreto
Cheguei a essa cidade afoita quando já havia me esquecido dos diversos tons de cinza que descolorem o céu. Desacostumada, logo que escuto os teus primeiros sons, chego a achar bonita a sinfonia de buzinas que anuncia o transito caótico. São Paulo me lança o seu primeiro sorriso ríspido que por ora eu não sei se encoraja ou intimida.
Pego o primeiro ônibus lotado, onde o calor abafado provoca pesados suspiros. Estão todos ali com o saco na lua e eu sou mais uma retirante de mochilas provocando os olhares descontentes dos outros mal acomodados passageiros.
Desço no primeiro ponto e o sinal vermelho me deixa desfilar a vontade sobre a faixa de pedestres. Ao meu lado, seguindo pelo mesmo trajeto, tropeça uma moça.
Indignada, ela me retrata a cena que eu havia acabado de assistir: tão logo o sinal abriu, o motorista lançou-lhe o carro para que ela apressasse o passo. Enquanto ela bufa o descontentamento do seu final do dia, eu retribuo o sorriso ríspido que recebi e lhe digo “Bem vinda a São Paulo”.
Com um genuíno sotaque nordestino ela me responde “Bem vinda ao Brasil. Porque isso não é problema de cidade grande não. É falta de educação mesmo”. Acho graça na verdade cruamente retratada naquela esquina e diante de um sorriso, seguimos até o próximo ponto. No caminho ela me conta que vem de Maceió e há um tempo tenta se acostumar ao cotidiano caótico de uma cidade tão bruta. Digo-lhe que sofro dos mesmos anseios.
E assim que ela reconhece nas minhas palavras uma hospitalidade atípica daqui, ela segue seu caminho me desejando “boa sorte”.
Eu aguardo no ponto mais vinte minutos o ônibus que não vem. Ali tenho a leve certeza de que tanto gás carbônico agregado aos meus pulmões um dia fará do meu coração um pedaço de concreto. Ali tenho a triste certeza de que um dia meus sonhos seguirão amontoados no trem de metrô, ou talvez sejam vendidos em um camelô na vinte e cinco de março. Ali eu me lembro daquela música do Toquinho que eu gostava quando criança e dizia que “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. E ali, enquanto os sonhos brincam de ser incertos em meio a tanto cinza, eu não tenho mais certeza de nada. E São Paulo sorri, em meio ao caos que me hipnotiza, lançando sobre mim a mesma prece que se lança para quem decide sonhar mais do que viver.
Pego o primeiro ônibus lotado, onde o calor abafado provoca pesados suspiros. Estão todos ali com o saco na lua e eu sou mais uma retirante de mochilas provocando os olhares descontentes dos outros mal acomodados passageiros.
Desço no primeiro ponto e o sinal vermelho me deixa desfilar a vontade sobre a faixa de pedestres. Ao meu lado, seguindo pelo mesmo trajeto, tropeça uma moça.
Indignada, ela me retrata a cena que eu havia acabado de assistir: tão logo o sinal abriu, o motorista lançou-lhe o carro para que ela apressasse o passo. Enquanto ela bufa o descontentamento do seu final do dia, eu retribuo o sorriso ríspido que recebi e lhe digo “Bem vinda a São Paulo”.
Com um genuíno sotaque nordestino ela me responde “Bem vinda ao Brasil. Porque isso não é problema de cidade grande não. É falta de educação mesmo”. Acho graça na verdade cruamente retratada naquela esquina e diante de um sorriso, seguimos até o próximo ponto. No caminho ela me conta que vem de Maceió e há um tempo tenta se acostumar ao cotidiano caótico de uma cidade tão bruta. Digo-lhe que sofro dos mesmos anseios.
E assim que ela reconhece nas minhas palavras uma hospitalidade atípica daqui, ela segue seu caminho me desejando “boa sorte”.
Eu aguardo no ponto mais vinte minutos o ônibus que não vem. Ali tenho a leve certeza de que tanto gás carbônico agregado aos meus pulmões um dia fará do meu coração um pedaço de concreto. Ali tenho a triste certeza de que um dia meus sonhos seguirão amontoados no trem de metrô, ou talvez sejam vendidos em um camelô na vinte e cinco de março. Ali eu me lembro daquela música do Toquinho que eu gostava quando criança e dizia que “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. E ali, enquanto os sonhos brincam de ser incertos em meio a tanto cinza, eu não tenho mais certeza de nada. E São Paulo sorri, em meio ao caos que me hipnotiza, lançando sobre mim a mesma prece que se lança para quem decide sonhar mais do que viver.
sexta-feira, março 02, 2007
Fevereiro
É assim que o dia amanhece: com o mesmo beijo de bom dia que estala no pescoço, antes mesmo dos olhos se abrirem. E a cama fica desarrumada sempre do mesmo jeito. Porque aquilo que também se chama nós, agora tem o mesmo jeito.
Jeito que transforma a rotina. Quando nosso cotidiano é, como são as pequenas pedras de um caleidoscópio. Com um simples girar, as mesmas cores ganham outras formas. E tudo fica nosso. Do mesmo jeito.
Às vezes eu quero fugir. Pois o amor já não comporta a instabilidade que tanto me instiga. Ainda busco a paixão nos detalhes. Mas agora os detalhes são apenas cores repetidas em formas diferentes. Assim como é fevereiro, quando as tempestades de verão já não trazem tantas novidades.
Tenho medo da rotina que aprisiona e incomoda. A felicidade para mim é a instabilidade de uma aventura. Aventura que eu aprendi a chamar de amor.
Mas aos poucos, presa aos telefonemas dos mesmos horários, presa ao silêncio das mãos atadas no cinema, presa aos restaurantes preferidos onde dividimos a mesma cerveja, a vida fica tão simples, que o meu prazer não é mais mergulhar. E sim dilapidar. Aos poucos. Sem compreender o que de fato é tão profundo.
Fico cúmplice de uma alegria que desconheço e me fascina. Porque é calma e óbvia. Assim como o céu preto que monta o cenário das chuvas. Que aplacam o calor. Ao final do dia.
Enquanto fevereiro se repete, entre os dias de calor e de chuva, deixo o amor se repetir também. Brincando com as mesmas cores. E dando vida às formas diferentes.
Jeito que transforma a rotina. Quando nosso cotidiano é, como são as pequenas pedras de um caleidoscópio. Com um simples girar, as mesmas cores ganham outras formas. E tudo fica nosso. Do mesmo jeito.
Às vezes eu quero fugir. Pois o amor já não comporta a instabilidade que tanto me instiga. Ainda busco a paixão nos detalhes. Mas agora os detalhes são apenas cores repetidas em formas diferentes. Assim como é fevereiro, quando as tempestades de verão já não trazem tantas novidades.
Tenho medo da rotina que aprisiona e incomoda. A felicidade para mim é a instabilidade de uma aventura. Aventura que eu aprendi a chamar de amor.
Mas aos poucos, presa aos telefonemas dos mesmos horários, presa ao silêncio das mãos atadas no cinema, presa aos restaurantes preferidos onde dividimos a mesma cerveja, a vida fica tão simples, que o meu prazer não é mais mergulhar. E sim dilapidar. Aos poucos. Sem compreender o que de fato é tão profundo.
Fico cúmplice de uma alegria que desconheço e me fascina. Porque é calma e óbvia. Assim como o céu preto que monta o cenário das chuvas. Que aplacam o calor. Ao final do dia.
Enquanto fevereiro se repete, entre os dias de calor e de chuva, deixo o amor se repetir também. Brincando com as mesmas cores. E dando vida às formas diferentes.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Dias assim...
Tristeza que não cabe é essa que escrevo nas linhas tortas da minha desilusão. Dor gratuita, como todas as suas ofensas são. Sempre. Será que se um dia você pisasse no meu calo, eu pularia no seu pescoço? Já não quero ter tanto poder. Pois no fim, essa força bruta apenas destrói.
Então provavelmente eu seguiria o meu caminho, como sempre fiz. Acreditando que excesso de respeito também pode se chamar amor.
Porque você simplesmente não vem e me vê de perto? Com os medos que eu nunca pude ter. Com a eterna incompetência que me sobra. Talvez eu fosse mais bonita se pudesse ter o meu tamanho.
E, por de fato ser pequena, ando alheia aos meus sonhos, trocando passos com a solidão. Nesses dias onde tudo parece cinza.
Talvez por isso correr ainda me faça tão bem. Porque a minha vontade, mais do que nunca é correr para a minha natureza, quando essa forma já não me cabe mais.
De joelhos estou sucumbindo a tudo que me dói e que tantas vezes você adora revirar.
De joelhos, eu te peço perdão por não ser tão forte assim.
E deixo a tristeza me visitar.
Hoje eu não quero ser forte.
Então provavelmente eu seguiria o meu caminho, como sempre fiz. Acreditando que excesso de respeito também pode se chamar amor.
Porque você simplesmente não vem e me vê de perto? Com os medos que eu nunca pude ter. Com a eterna incompetência que me sobra. Talvez eu fosse mais bonita se pudesse ter o meu tamanho.
E, por de fato ser pequena, ando alheia aos meus sonhos, trocando passos com a solidão. Nesses dias onde tudo parece cinza.
Talvez por isso correr ainda me faça tão bem. Porque a minha vontade, mais do que nunca é correr para a minha natureza, quando essa forma já não me cabe mais.
De joelhos estou sucumbindo a tudo que me dói e que tantas vezes você adora revirar.
De joelhos, eu te peço perdão por não ser tão forte assim.
E deixo a tristeza me visitar.
Hoje eu não quero ser forte.
sábado, janeiro 06, 2007
O presente
Chacoalhei a cabeça como quem sente uma assombração passear pelos pensamentos. Tudo me remetia ao ano que acabava e a única certeza que ali me restava era: “Este ano: sem presentes”.
O peso de ter sido tão ridícula ainda me atormentava. E por mais que eu formulasse as melhores frases de auto-ajuda, tentando demonstrar para mim mesma que eu não havia sido tão idiota, nada me tirava o ranço daquela sensação. Como pude ser tão estúpida?
- Moço, preciso trocar este presente.
- Bom temos pequenos aviões de outros modelos, qual você vai querer?
- Na verdade estou querendo meu dinheiro de volta...
- Sinto muito, mas não podemos fazer isso...
- Por favor... (respondi com uma cara doce...)
- Não posso... (o vendedor respondeu com uma cara mais doce ainda...).
Foi aí que surgiu a primeira lágrima. E com ela, milhões de outras. Queria disfarçar, mas meu descontentamento com o mundo já era tão grande que eu não sentia mais vergonha de me mostrar tão pequena. Nada mais me fazia sorrir. E a única coisa que eu fazia desde então, era subir em uma esteira, com a Janis Joplin berrando nos meus tímpanos “A woman left lonely”, na tentativa de não deixar minha própria dor me engolir. Eu era mais uma, dessas que se sentem idiotas por ter ouvido os suspiros do coração. Eu era uma mulher deixada e só, tentando devolver o presente de natal que perdera seu destinatário.
- Olha, você não esta me entendendo. Este presente... Bom, este presente tinha um valor sentimental, mas a pessoa que ia ganhar não vai mais ganhar, entendeu?
O vendedor me olhou com uma cara de interrogação.
- Hum... Mas mesmo assim, moça, infelizmente não aceitamos devolução.
Pronto, as lágrimas se transformaram em uma enxurrada.
- Escuta... Você já levou um fora?
- Hein?
- Isso, moço, um fora. F-O-R-A. Pé na bunda...
- Já...
- Pois bem, este presente era para o cara que disse que me amava. E que eu amava também. Sei lá porque porra, uma semana depois do natal, ele apareceu para me dizer que “estava confuso e não queria nada sério agora”. E eu fiquei com esse presente sem saber o quê fazer. Se você não puder devolver meu dinheiro, tudo bem... Diz que eu doei esse avião para a loja. É melhor do que ficar com ele enfeitando o meu quarto como se fosse o troféu “estúpida do século”.
Virei as costas e segui. Alguns segundos depois o vendedor me chama:
- Ow moça... Espera aí! Falei com o gerente e faremos a devolução do seu dinheiro.
Ok. Perder um amor meia boca e resgatar duzentos paus não era tão mau negócio... Voltei até a loja e consegui arrebatar o meu precioso pedaço de salário devidamente guardado para a ocasião.
Mas os duzentos paus que voltaram para o banco ainda sim não pagaram o meu lamento. Chorar o seu pé na bunda para um vendedor de shopping era o episódio mais deprimente que eu já vivi.
Tempos idos, me recuperei e encontrei outro alguém, mas gato escaldado tem medo de água fria. Portanto, seguindo a voz da experiência, este ano me determinei “Sem presentes”.
Na noite do ano novo, ele me veio com um pacote todo bonitinho com um adesivo “Para Helga”. Um livro. Adoro livros... E adorei mais ainda o fato dele narrar o motivo que se embrulhava naquele pacotinho. “Achei que você iria gostar. Já que é a advogada mais escritora que eu conheço”. Me desmanchei em um sorriso bobo, mas ainda sim, amarelo, afinal eu não havia comprado nada!
Terça feira, de volta para São Paulo, percorri a cidade com o coração na mão. Sim, eu tinha a doce missão de lavar o passado e me desconstruir na emoção nova de encontrar um novo presente! Que bom sentir aquela leveza na alma!
Encontrei. E não pude deixar de explicar meu drama para a vendedora.
“Olha, esse presente é especial... Ano passado, estava saindo com um cara... blá, blá, blá...”. Ela riu e disse, após eu assinar o cheque “Boa sorte. Tomara que agora dê certo”.
- Bom, mas de toda forma vocês aceitam devolução, certo?
- Sim... respondeu ela... Mas espero que não precise. Me entreolhou com um piscadela.
Sai da loja. Acho que fui a pessoa mais realizada do mundo quando ele abriu o pacote e junto um sorriso sem jeito. “Poxa, adorei”.
Eu estava feliz. Feliz como nunca.
Passado não é presente. Não mesmo!
Feliz presente novo.
O peso de ter sido tão ridícula ainda me atormentava. E por mais que eu formulasse as melhores frases de auto-ajuda, tentando demonstrar para mim mesma que eu não havia sido tão idiota, nada me tirava o ranço daquela sensação. Como pude ser tão estúpida?
- Moço, preciso trocar este presente.
- Bom temos pequenos aviões de outros modelos, qual você vai querer?
- Na verdade estou querendo meu dinheiro de volta...
- Sinto muito, mas não podemos fazer isso...
- Por favor... (respondi com uma cara doce...)
- Não posso... (o vendedor respondeu com uma cara mais doce ainda...).
Foi aí que surgiu a primeira lágrima. E com ela, milhões de outras. Queria disfarçar, mas meu descontentamento com o mundo já era tão grande que eu não sentia mais vergonha de me mostrar tão pequena. Nada mais me fazia sorrir. E a única coisa que eu fazia desde então, era subir em uma esteira, com a Janis Joplin berrando nos meus tímpanos “A woman left lonely”, na tentativa de não deixar minha própria dor me engolir. Eu era mais uma, dessas que se sentem idiotas por ter ouvido os suspiros do coração. Eu era uma mulher deixada e só, tentando devolver o presente de natal que perdera seu destinatário.
- Olha, você não esta me entendendo. Este presente... Bom, este presente tinha um valor sentimental, mas a pessoa que ia ganhar não vai mais ganhar, entendeu?
O vendedor me olhou com uma cara de interrogação.
- Hum... Mas mesmo assim, moça, infelizmente não aceitamos devolução.
Pronto, as lágrimas se transformaram em uma enxurrada.
- Escuta... Você já levou um fora?
- Hein?
- Isso, moço, um fora. F-O-R-A. Pé na bunda...
- Já...
- Pois bem, este presente era para o cara que disse que me amava. E que eu amava também. Sei lá porque porra, uma semana depois do natal, ele apareceu para me dizer que “estava confuso e não queria nada sério agora”. E eu fiquei com esse presente sem saber o quê fazer. Se você não puder devolver meu dinheiro, tudo bem... Diz que eu doei esse avião para a loja. É melhor do que ficar com ele enfeitando o meu quarto como se fosse o troféu “estúpida do século”.
Virei as costas e segui. Alguns segundos depois o vendedor me chama:
- Ow moça... Espera aí! Falei com o gerente e faremos a devolução do seu dinheiro.
Ok. Perder um amor meia boca e resgatar duzentos paus não era tão mau negócio... Voltei até a loja e consegui arrebatar o meu precioso pedaço de salário devidamente guardado para a ocasião.
Mas os duzentos paus que voltaram para o banco ainda sim não pagaram o meu lamento. Chorar o seu pé na bunda para um vendedor de shopping era o episódio mais deprimente que eu já vivi.
Tempos idos, me recuperei e encontrei outro alguém, mas gato escaldado tem medo de água fria. Portanto, seguindo a voz da experiência, este ano me determinei “Sem presentes”.
Na noite do ano novo, ele me veio com um pacote todo bonitinho com um adesivo “Para Helga”. Um livro. Adoro livros... E adorei mais ainda o fato dele narrar o motivo que se embrulhava naquele pacotinho. “Achei que você iria gostar. Já que é a advogada mais escritora que eu conheço”. Me desmanchei em um sorriso bobo, mas ainda sim, amarelo, afinal eu não havia comprado nada!
Terça feira, de volta para São Paulo, percorri a cidade com o coração na mão. Sim, eu tinha a doce missão de lavar o passado e me desconstruir na emoção nova de encontrar um novo presente! Que bom sentir aquela leveza na alma!
Encontrei. E não pude deixar de explicar meu drama para a vendedora.
“Olha, esse presente é especial... Ano passado, estava saindo com um cara... blá, blá, blá...”. Ela riu e disse, após eu assinar o cheque “Boa sorte. Tomara que agora dê certo”.
- Bom, mas de toda forma vocês aceitam devolução, certo?
- Sim... respondeu ela... Mas espero que não precise. Me entreolhou com um piscadela.
Sai da loja. Acho que fui a pessoa mais realizada do mundo quando ele abriu o pacote e junto um sorriso sem jeito. “Poxa, adorei”.
Eu estava feliz. Feliz como nunca.
Passado não é presente. Não mesmo!
Feliz presente novo.
domingo, dezembro 17, 2006
O nosso amor a gente inventa...
Ele era assim: encantador. Encantador pelo que tinha de exótico, encantador pelo que tinha de irônico, encantador pelo que tinha de antítese. Ele era uma poesia urbana recitada em meus ouvidos. Um hippie livre e cheio de asas, do tamanho exato que a minha liberdade sempre sonhou. Eu casaria com aquele homem atrás daquele baixo. E o amaria incondicionalmente até por sua esquisitice.
E com um suspiro estupefato e sincero de quem encontra alguém sorrindo para a sua solidão mundana, eu cedi aos seus encantos e ao seu convite para um encontro.
Me convidou para ir a uma praça, ver o sol se pôr em meio a fumaça de São Paulo. Nada poderia ser mais romântico e perfeito para aqueles primeiros dias de verão.
No meio do caminho, comemos amoras no pé. E o calor, a brisa fresca e as conversas que se entrelaçam eram um indicativo forte de que ali acontecia um encontro de almas e não demoraria muito para que as bocas se encontrassem também. Se não fosse a boca de um cachorro que encontrasse meu calcanhar primeiro (sim, eu fui mordida por um cachorro no primeiro encontro com o meu príncipe encantado).
Em meio ao sangue que escorria pelo meu pé, os nossos olhares ficaram desprotegidos e ele colocou sobre todas as feridas do meu coração maltrapilho, uma camiseta surrada. Ele me protegia, me queria e me transformava. E eu era um sorriso de ternura, uma menina feliz que aparecia estatelada na sua retina. Eu amava.
A mordida de cachorro só poderia ser um presente do destino, me indicando que tudo aquilo era mágico e sincero. Como não poderia ser? Levaria cicatrizes daquele encontro no meu pé, pelo resto da minha vida! E se doía, tal qual não poderia deixar de ser, não era menos que amor de verdade.
Nos dividimos em cerveja, em corpos que tremeram em uma noite suja, de um orgasmo que eu nunca mais esqueci. O nosso amor barato, de boteco e consumado, era tão lindo que de tanta poesia eu deitei no seu peito aliviada e adormeci.
Acordei com o seu solo bruto de baixo, no meio da noite, entoando notas para o meu coração abobado. E eu estava tão feliz, mas tão feliz, que o mundo poderia acabar ali.
E acabou. Quando ele nunca mais me ligou. Atropelando esse sentimento raro que eu nunca mais senti...
Não.
Ele era assim: esquisito. Esquisito pelo que tinha de exótico. Esquisito pelo que tinha de irônico, esquisito pelo que tinha de antítese. Um cara de poesia barata escarrada nos meus ouvidos. Um hiponga metido a músico que me entortava os nervos. Eu socaria aquele cara atrás daquele baixo que só queria aparecer mais do que a banda.
Por excesso de álcool no coração e carência em limites acima do normal, eu aceitei seu convite para passar uma tarde vendo o sol se pôr numa cidade que nunca tem sol feito São Paulo.(equivalente a um programa de índio!)
Aceitei, e no meio do caminho, depois de estar com a mão melada de amora, um filho da puta de um cachorro mordeu meu pé. Eu deveria ter mordido o seu pé em seguida, só para demonstrar o quanto foi estapafúrdia a idéia de sair com um cara esquisito feito você.
Não, não me lembro dos seus olhos, mas apenas em pensar como iria sair dali, direto para o hospital tomar uma anti-rábica.(eu tenho pânico de injeção)
E quando ele me deu aquele colar brega que eu nunca usei, tentado consertar a situação, só me lembro de uma vontade insana de mandar enfiá-lo no cu. Afinal, o meu pé tava jorrando sangue e doendo horrores e não era o seu lado bom (que apareceu uma única vez) que iria mudar aquilo. A sua camiseta suada iria infectar essa ferida e para o meu azar eu me lembraria de você pelo o resto da minha vida através de uma cicatriz, ou quem sabe de uma infecção.
Nós dividimos a cerveja e a conta (porque você era um pé rapado) e com mais álcool do que lucidez eu acabei dando para você. Eu nunca mais esqueci o cheiro de incenso barato que você ascendeu no quarto, talvez para disfarçar a sua falta de banho.
Eu dei para você e como não poderia ser menos óbvio e covarde você sumiu. Fiquei meses tentando conservar a mocinha boazinha e desentendida que eu adoraria ser, mas ela se transformou num furacão de ira dentro de mim. Sim, aquela noite eu deveria ter ido embora sem dividir a conta. Eu deveria ter sacado que a tua sedução era proporcional ao teu desamor. Eu deveria ter me protegido no clichê de que todos os homens são iguais.
Mas eu acabei esquecendo o amor que eu jamais esqueceria. Acabei esquecendo o desamor que um dia eu me vingaria. Acabei esquecendo de você...
E sem você, eu me divido entre a vontade de assassinar o romantismo imbecil que faz da minha vida mais poesia do que realidade e a minha vontade de permanecer acreditando que não se vive a realidade se não existir ao menos um pouco de romantismo.
O fato é, que tirando o amor que eu inventei, eu também só queria te comer.
E com um suspiro estupefato e sincero de quem encontra alguém sorrindo para a sua solidão mundana, eu cedi aos seus encantos e ao seu convite para um encontro.
Me convidou para ir a uma praça, ver o sol se pôr em meio a fumaça de São Paulo. Nada poderia ser mais romântico e perfeito para aqueles primeiros dias de verão.
No meio do caminho, comemos amoras no pé. E o calor, a brisa fresca e as conversas que se entrelaçam eram um indicativo forte de que ali acontecia um encontro de almas e não demoraria muito para que as bocas se encontrassem também. Se não fosse a boca de um cachorro que encontrasse meu calcanhar primeiro (sim, eu fui mordida por um cachorro no primeiro encontro com o meu príncipe encantado).
Em meio ao sangue que escorria pelo meu pé, os nossos olhares ficaram desprotegidos e ele colocou sobre todas as feridas do meu coração maltrapilho, uma camiseta surrada. Ele me protegia, me queria e me transformava. E eu era um sorriso de ternura, uma menina feliz que aparecia estatelada na sua retina. Eu amava.
A mordida de cachorro só poderia ser um presente do destino, me indicando que tudo aquilo era mágico e sincero. Como não poderia ser? Levaria cicatrizes daquele encontro no meu pé, pelo resto da minha vida! E se doía, tal qual não poderia deixar de ser, não era menos que amor de verdade.
Nos dividimos em cerveja, em corpos que tremeram em uma noite suja, de um orgasmo que eu nunca mais esqueci. O nosso amor barato, de boteco e consumado, era tão lindo que de tanta poesia eu deitei no seu peito aliviada e adormeci.
Acordei com o seu solo bruto de baixo, no meio da noite, entoando notas para o meu coração abobado. E eu estava tão feliz, mas tão feliz, que o mundo poderia acabar ali.
E acabou. Quando ele nunca mais me ligou. Atropelando esse sentimento raro que eu nunca mais senti...
Não.
Ele era assim: esquisito. Esquisito pelo que tinha de exótico. Esquisito pelo que tinha de irônico, esquisito pelo que tinha de antítese. Um cara de poesia barata escarrada nos meus ouvidos. Um hiponga metido a músico que me entortava os nervos. Eu socaria aquele cara atrás daquele baixo que só queria aparecer mais do que a banda.
Por excesso de álcool no coração e carência em limites acima do normal, eu aceitei seu convite para passar uma tarde vendo o sol se pôr numa cidade que nunca tem sol feito São Paulo.(equivalente a um programa de índio!)
Aceitei, e no meio do caminho, depois de estar com a mão melada de amora, um filho da puta de um cachorro mordeu meu pé. Eu deveria ter mordido o seu pé em seguida, só para demonstrar o quanto foi estapafúrdia a idéia de sair com um cara esquisito feito você.
Não, não me lembro dos seus olhos, mas apenas em pensar como iria sair dali, direto para o hospital tomar uma anti-rábica.(eu tenho pânico de injeção)
E quando ele me deu aquele colar brega que eu nunca usei, tentado consertar a situação, só me lembro de uma vontade insana de mandar enfiá-lo no cu. Afinal, o meu pé tava jorrando sangue e doendo horrores e não era o seu lado bom (que apareceu uma única vez) que iria mudar aquilo. A sua camiseta suada iria infectar essa ferida e para o meu azar eu me lembraria de você pelo o resto da minha vida através de uma cicatriz, ou quem sabe de uma infecção.
Nós dividimos a cerveja e a conta (porque você era um pé rapado) e com mais álcool do que lucidez eu acabei dando para você. Eu nunca mais esqueci o cheiro de incenso barato que você ascendeu no quarto, talvez para disfarçar a sua falta de banho.
Eu dei para você e como não poderia ser menos óbvio e covarde você sumiu. Fiquei meses tentando conservar a mocinha boazinha e desentendida que eu adoraria ser, mas ela se transformou num furacão de ira dentro de mim. Sim, aquela noite eu deveria ter ido embora sem dividir a conta. Eu deveria ter sacado que a tua sedução era proporcional ao teu desamor. Eu deveria ter me protegido no clichê de que todos os homens são iguais.
Mas eu acabei esquecendo o amor que eu jamais esqueceria. Acabei esquecendo o desamor que um dia eu me vingaria. Acabei esquecendo de você...
E sem você, eu me divido entre a vontade de assassinar o romantismo imbecil que faz da minha vida mais poesia do que realidade e a minha vontade de permanecer acreditando que não se vive a realidade se não existir ao menos um pouco de romantismo.
O fato é, que tirando o amor que eu inventei, eu também só queria te comer.
domingo, dezembro 03, 2006
Dezembro
O sentimento não poderia ser mais simples e cheio. E nessa tranqüilidade eu transbordo poesia enquanto você passeia pelos meus medos.Com o seu jeito desengonçado de menino.
O meu suspiro fresco, é porque desisti de procurar amor nos meus sonhos. E agora só desejo que o tempo pare, nessas manhãs preguiçosas de domingo, onde nossos pés se enroscam embaixo do lençol.
Eu agradeço ao meu sorriso bobo, refletido no seu olhar verde mel. Eu agradeço aos seus cachos que enrolam nos meus dedos. E eu agradeço a toda paz que encontro no seu ombro. Meu mais novo travesseiro.
Eu agradeço aos beijos curtos, que me causam saudades. Eu agradeço aos beijos longos que me trazem lembranças. Eu agradeço ao corpo que treme.Quando eu ainda tremo de medo de ter um dia seguinte.
Mas venho aprendendo a sorrir, quando acordo e te encontro velando o meu sono. Venho aprendendo a sorrir, quando te vejo fazer leve, aquilo que eu já vi ser tão pesado.
Choro. Choro de felicidade pelo tempo, que constrói e destrói o que a vida faz inevitável. E inevitável agora é não lavar a alma nessa tempestade que me inunda por dentro. Desentupindo as calhas velhas do meu coração.
São esses dias de verão tão sinceros, de céu azul e tempestades brutas que despencam para esfriar o calor.
São esses dias de dezembro em que te amo.
O meu suspiro fresco, é porque desisti de procurar amor nos meus sonhos. E agora só desejo que o tempo pare, nessas manhãs preguiçosas de domingo, onde nossos pés se enroscam embaixo do lençol.
Eu agradeço ao meu sorriso bobo, refletido no seu olhar verde mel. Eu agradeço aos seus cachos que enrolam nos meus dedos. E eu agradeço a toda paz que encontro no seu ombro. Meu mais novo travesseiro.
Eu agradeço aos beijos curtos, que me causam saudades. Eu agradeço aos beijos longos que me trazem lembranças. Eu agradeço ao corpo que treme.Quando eu ainda tremo de medo de ter um dia seguinte.
Mas venho aprendendo a sorrir, quando acordo e te encontro velando o meu sono. Venho aprendendo a sorrir, quando te vejo fazer leve, aquilo que eu já vi ser tão pesado.
Choro. Choro de felicidade pelo tempo, que constrói e destrói o que a vida faz inevitável. E inevitável agora é não lavar a alma nessa tempestade que me inunda por dentro. Desentupindo as calhas velhas do meu coração.
São esses dias de verão tão sinceros, de céu azul e tempestades brutas que despencam para esfriar o calor.
São esses dias de dezembro em que te amo.
domingo, novembro 05, 2006
A minha vida é um risoto.
Quando a chave de casa terminou sua pequena volta na boca da fechadura, eu senti a boca do meu estômago reclamar num irritado suspiro de fome. Pensei imediatamente em virar as costas e encontrar um restaurante que resolvesse o meu problema. Contudo, nesse exato momento eu contava apenas com R$ 2,00 na carteira e isso não era dinheiro o suficiente para um almoço decente. Pensei então em matar a minha fome com requintes de crueldade na barraca de cachorro quente da esquina, mas lembrei que o custo benefício daquela empreitada talvez não fosse tão bom quanto parecia. Dessa vez eu teria que encarar a geladeira com coragem e fazer um almoço digno de quem ta com pouca grana e muita fome. Era a boa e velha omelete que já fritava nos miolos do meu cérebro. Mas onde estavam os ovos mesmo? Minha geladeira era um cenário de guerra depois da primeira batalha...
Os primeiros passos por aquele campo minado de prateleiras vazias não foram muito encorajadores. Encontramos no meio do caminho alguns destroços de uma cebola estragada, uma cerveja gelada, uma coleção de fungos sobre o tomate e uma maçã velha no fundo da gaveta. Certamente fazer um almoço naquela situação não seria lá uma tarefa fácil, então apelamos para a velha e boa dispensa. Lá você sempre encontra um molho de tomate perto de vencer e um macarrãozinho esperto que costumam se transformar em um belo almoço-quebra-galho. Especialidade no meu menu.
Contudo, nada de macarrão e nada de molho de tomate. Havia um pacote de chá de hortelã, barrinhas de cereal, um pacote de arroz e outro de feijão. E tudo isso não parecia nada motivador.
Ok. Sem desesperos, se ainda nos restava o velho e bom freezer. E sim! Era naquela imensidão gelada que eu certamente iria encontrar algum projeto de almoço congelado pronto para ser servido. Embora a minha vontade nessa hora fosse me alimentar de luz, de ar ou de música. Ou sei lá do quê. Eu tinha fome de quê mesmo?
Finalmente, por trás daquela névoa gelada, encontrei um verdadeiro tesouro: um potinho de molho de queijo com frango e ervilhas, que um dia eu inventei numas dessas bruxarias que eu apronto na minha cozinha. Fechado! Com um arroz, aquilo se passaria facilmente por um estrogonofe albino e autêntico. Era o final feliz dessa história se, obviamente, neste exato momento os problemas de fato não tomassem uma real proporção.
Nasci com uma série de defeitos, mas entre os mais graves, eu confesso: não sei fazer arroz!
Já fiz de tudo: mais água, menos água, só frito com cebola, frito com cebola e alho, ponho sal no começo, no meio e no fim do negócio e ele não sai. Isso quando não queima! O que é uma ironia gastronômica da minha vida, afinal dizem que arroz é algo para se colocar na panela e ta pronto. Não dá para mexer muito... Deve ser por isso que erro tanto.
Ah! Eu me rendi então. Era o final da minha tentativa de salvar um estomago com menos de três reais, e, o começo do meu humor. Já havia quase perdido a fome. Ali tudo se resumia a fé, coragem e bolacha de água e sal.
Mas sem me entregar de vez àquela situação que beirava o auge do ridículo, deixei de exaltar tanto o meu estrogonofe albino para transformá-lo em um prato bem mais simples. Em uma panela com um pouco de óleo e tempero, fritei o arroz e juntei a minha inusitada invenção de queijo com frango e ervilhas. Uns quinze minutos de fogo baixo, e, no auge do meu desespero, brotava diante dos meus olhos um “magnífico” risoto! Que apesar de meia boca, era ao menos sincero.
Comi com satisfação o meu tão batalhado almoço e no deleite do meu estômago saciado me veio um pensamento. De repente eu conclui que, da mesma forma, na minha vida faltam tantas coisas quanto falta na minha geladeira. E, diante de tudo aquilo que falta, fazer um estrogonofe albino pode soar grande e valente, contudo pode ser a garantia de fome.
A minha vida é um risoto.
Os primeiros passos por aquele campo minado de prateleiras vazias não foram muito encorajadores. Encontramos no meio do caminho alguns destroços de uma cebola estragada, uma cerveja gelada, uma coleção de fungos sobre o tomate e uma maçã velha no fundo da gaveta. Certamente fazer um almoço naquela situação não seria lá uma tarefa fácil, então apelamos para a velha e boa dispensa. Lá você sempre encontra um molho de tomate perto de vencer e um macarrãozinho esperto que costumam se transformar em um belo almoço-quebra-galho. Especialidade no meu menu.
Contudo, nada de macarrão e nada de molho de tomate. Havia um pacote de chá de hortelã, barrinhas de cereal, um pacote de arroz e outro de feijão. E tudo isso não parecia nada motivador.
Ok. Sem desesperos, se ainda nos restava o velho e bom freezer. E sim! Era naquela imensidão gelada que eu certamente iria encontrar algum projeto de almoço congelado pronto para ser servido. Embora a minha vontade nessa hora fosse me alimentar de luz, de ar ou de música. Ou sei lá do quê. Eu tinha fome de quê mesmo?
Finalmente, por trás daquela névoa gelada, encontrei um verdadeiro tesouro: um potinho de molho de queijo com frango e ervilhas, que um dia eu inventei numas dessas bruxarias que eu apronto na minha cozinha. Fechado! Com um arroz, aquilo se passaria facilmente por um estrogonofe albino e autêntico. Era o final feliz dessa história se, obviamente, neste exato momento os problemas de fato não tomassem uma real proporção.
Nasci com uma série de defeitos, mas entre os mais graves, eu confesso: não sei fazer arroz!
Já fiz de tudo: mais água, menos água, só frito com cebola, frito com cebola e alho, ponho sal no começo, no meio e no fim do negócio e ele não sai. Isso quando não queima! O que é uma ironia gastronômica da minha vida, afinal dizem que arroz é algo para se colocar na panela e ta pronto. Não dá para mexer muito... Deve ser por isso que erro tanto.
Ah! Eu me rendi então. Era o final da minha tentativa de salvar um estomago com menos de três reais, e, o começo do meu humor. Já havia quase perdido a fome. Ali tudo se resumia a fé, coragem e bolacha de água e sal.
Mas sem me entregar de vez àquela situação que beirava o auge do ridículo, deixei de exaltar tanto o meu estrogonofe albino para transformá-lo em um prato bem mais simples. Em uma panela com um pouco de óleo e tempero, fritei o arroz e juntei a minha inusitada invenção de queijo com frango e ervilhas. Uns quinze minutos de fogo baixo, e, no auge do meu desespero, brotava diante dos meus olhos um “magnífico” risoto! Que apesar de meia boca, era ao menos sincero.
Comi com satisfação o meu tão batalhado almoço e no deleite do meu estômago saciado me veio um pensamento. De repente eu conclui que, da mesma forma, na minha vida faltam tantas coisas quanto falta na minha geladeira. E, diante de tudo aquilo que falta, fazer um estrogonofe albino pode soar grande e valente, contudo pode ser a garantia de fome.
A minha vida é um risoto.
quinta-feira, outubro 19, 2006
A fórceps
Ás exatas 5:44 da manhã, do dia 19 de outubro de 2006, após 6 meses de gestação,520 horas na frente de um computador, aproximadamente 18 litros de café bebidos, 9 barras de chocolate devoradas (da Hersheys porque estava na promoção), dois kilos e meio engordados, 130 kilômetros corridos, aproximadamente um rio de suor escorrido, aproximadamente um oceano de lágrimas choradas, um assassinato imaginário de um orientador desorientado, 30 baladas a menos na minha vida, uma briga com a minha mãe, uma briga na minha república, 23 livros lidos, 40 página escritas, 39 horas de sono a menos, 57 horas perdidas na biblioteca da PUC, 1 porre para afogar as mágoas, 82 acórdãos catalogados... E eu pari uma monografia. A fórceps.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Seis coisas que você deveria saber sobre uma Helga
Recebi de um grande amigo da faculdade um desafio bloguerístico, onde eu deveria listar seis coisas que as pessoas não sabem sobre mim, sob pena de um coelho me atacar (É isso mesmo Tucun?!) Pois bem, topei a empreitada e depois de alguns neurônios fritos segue o meu manual das "Seis coisas que você deveria saber sobre uma Helga". Andiamo via!
1) A primeira coisa mais curiosa sobre a minha pessoa é que meu parto foi tão alemão, mas tão alemão, que eu praticamente nasci bebendo cerveja. E essa historia foi mais ou menos assim. Era para eu ter nascido no dia 03/11, mas como a preguiça é algo que domina o meu ser desde muito cedo, acabei colocando os olhos para fora do útero da minha mãe somente no dia 30/11. Um dia antes disso acontecer, minha mãe foi fazer compras no supermercado e ficou com um desejo insano de beber cerveja. Compras feitas, coisas guardadas, cerveja gelada e bebida, ela se deitou e foi dormir. No final da madrugada ela acorda meu pai com aquela deliciosa frase "Benhê, rompeu a bolsa". Meu pai, vira de lado e diz "Você não está acostumada a beber cerveja e deve ter feito xixi na calça". E foi assim que eu nasci.
2) O meu personagem preferido quando criança era a bruxa Malévola da Branca de Neve. Adorava! Contudo, por uma psicologia infantil imbecil que vigorava naquela época, não era aconselhável crianças gostarem dos personagens maus dos contos de fadas. A gente podia gostar de uma loira irritante de voz estridente, mas não podia gostar de bruxa! (vai entender) Foi assim que me colocaram na terapia durante cinco anos, para eu sair de lá uma Cinderhelga. Acho que foi a maior idiotice que poderiam fazer com uma criança...
3) A maior maldade que eu já fiz na minha vida, foi fazer meu irmão mais novo vomitar. Foi de uma crueldade indescritível. Ele não gostava de comer nada e minha mãe fazia um ervilha com ovo que tinha um cheiro horrível. Coloquei a iguaria no nariz do pequeno e ele vomitou uns três dias...
4) Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria para fazer uma coisa só: dizer ao meu avô que eu o amava demais. Quando ele se foi, eu era muito nova para entender que a vida não era para sempre...
5) Sou aficcionada por cheiros. Os meus gostos mais esquisitos? Cheiro de gasolina, de bronzeador e de biblioteca.
6) Acho que poucas pessoas sabem, mas eu tenho um mundo de sardinha nas costas. Um dia eu fiquei pirando sobre a possibilidade delas se tornarem um jogo de ligue-os-pontos e revelarem algum segredo cabalistico sobre mim. Como elas ficam nas costas, ainda não consegui realizar esse desafio...
Bom, é isso aí! Cumprida a lista e ufa! estou livre de um coelho assassino...
1) A primeira coisa mais curiosa sobre a minha pessoa é que meu parto foi tão alemão, mas tão alemão, que eu praticamente nasci bebendo cerveja. E essa historia foi mais ou menos assim. Era para eu ter nascido no dia 03/11, mas como a preguiça é algo que domina o meu ser desde muito cedo, acabei colocando os olhos para fora do útero da minha mãe somente no dia 30/11. Um dia antes disso acontecer, minha mãe foi fazer compras no supermercado e ficou com um desejo insano de beber cerveja. Compras feitas, coisas guardadas, cerveja gelada e bebida, ela se deitou e foi dormir. No final da madrugada ela acorda meu pai com aquela deliciosa frase "Benhê, rompeu a bolsa". Meu pai, vira de lado e diz "Você não está acostumada a beber cerveja e deve ter feito xixi na calça". E foi assim que eu nasci.
2) O meu personagem preferido quando criança era a bruxa Malévola da Branca de Neve. Adorava! Contudo, por uma psicologia infantil imbecil que vigorava naquela época, não era aconselhável crianças gostarem dos personagens maus dos contos de fadas. A gente podia gostar de uma loira irritante de voz estridente, mas não podia gostar de bruxa! (vai entender) Foi assim que me colocaram na terapia durante cinco anos, para eu sair de lá uma Cinderhelga. Acho que foi a maior idiotice que poderiam fazer com uma criança...
3) A maior maldade que eu já fiz na minha vida, foi fazer meu irmão mais novo vomitar. Foi de uma crueldade indescritível. Ele não gostava de comer nada e minha mãe fazia um ervilha com ovo que tinha um cheiro horrível. Coloquei a iguaria no nariz do pequeno e ele vomitou uns três dias...
4) Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria para fazer uma coisa só: dizer ao meu avô que eu o amava demais. Quando ele se foi, eu era muito nova para entender que a vida não era para sempre...
5) Sou aficcionada por cheiros. Os meus gostos mais esquisitos? Cheiro de gasolina, de bronzeador e de biblioteca.
6) Acho que poucas pessoas sabem, mas eu tenho um mundo de sardinha nas costas. Um dia eu fiquei pirando sobre a possibilidade delas se tornarem um jogo de ligue-os-pontos e revelarem algum segredo cabalistico sobre mim. Como elas ficam nas costas, ainda não consegui realizar esse desafio...
Bom, é isso aí! Cumprida a lista e ufa! estou livre de um coelho assassino...
segunda-feira, outubro 02, 2006
Bandini
Eu queria te dizer tantas coisas, dessas que não se diz. Porque quando a gente sabe que precisa ir, é melhor se cobrir de orgulho e partir logo. Esquecer.
E minha vontade de te esquecer é tanta, que eu gostaria que todos os cabeludos ficassem carecas, que todos os baixistas virassem guitarristas, que as cantinas italianas tirassem o molho carbonara do cardápio, que nos meus pés não restassem as cicatrizes do nosso encontro inusitado.
E assim eu também desejo ardentemente que o óleo de massagem da OX pare de ser vendido na farmácia da esquina, que Marte suma do sistema solar, que o gosto da cerveja não me traga o sabor simples do teu beijo.
Eu só queria que o livro do John Fante não estivesse na vitrine da Livraria Cultura...
Porque tudo é tão recente e óbvio, que o meu espontâneo suspiro é de uma tristeza incontida, nos fragmentos do meu dia onde encontro você.
E hoje. Hoje quando peguei o ônibus que passava pela Vila Mariana, tão logo vi a placa da Lins de Vasconcelos, coloquei os óculos escuros, na tentativa de esconder alguma lágrima que denunciasse a minha vontade já vencida de te esquecer.
E por isso eu queria descer no próximo ponto, correr Lins abaixo para bater na sua porta e encontrar nos seus olhos o desamor que eu não conheci. Eu, que me apaixonei no pequeno vazio das conclusões prematuras, queria calar a poesia urbana e livre que me encantou no teu cheiro. No teu beijo elétrico e doce.
Mas eu fui. Fui embora levando saudades do sentimento intenso e bruto que você me despertou, e, que agora eu deixava as rodas do ônibus atropelar.
Eu fui embora levando saudades da tua ternura hippie, do seu All Star verde de cadarços coloridos, da sua solidão embrutecida num solo de baixo na madrugada, do cinismo do seu português mal escrito.
Fui embora levando saudades do seu olhar de menino, que era apenas um vazio de ilusões para um coração de cerâmica feito o meu.
E minha vontade de te esquecer é tanta, que eu gostaria que todos os cabeludos ficassem carecas, que todos os baixistas virassem guitarristas, que as cantinas italianas tirassem o molho carbonara do cardápio, que nos meus pés não restassem as cicatrizes do nosso encontro inusitado.
E assim eu também desejo ardentemente que o óleo de massagem da OX pare de ser vendido na farmácia da esquina, que Marte suma do sistema solar, que o gosto da cerveja não me traga o sabor simples do teu beijo.
Eu só queria que o livro do John Fante não estivesse na vitrine da Livraria Cultura...
Porque tudo é tão recente e óbvio, que o meu espontâneo suspiro é de uma tristeza incontida, nos fragmentos do meu dia onde encontro você.
E hoje. Hoje quando peguei o ônibus que passava pela Vila Mariana, tão logo vi a placa da Lins de Vasconcelos, coloquei os óculos escuros, na tentativa de esconder alguma lágrima que denunciasse a minha vontade já vencida de te esquecer.
E por isso eu queria descer no próximo ponto, correr Lins abaixo para bater na sua porta e encontrar nos seus olhos o desamor que eu não conheci. Eu, que me apaixonei no pequeno vazio das conclusões prematuras, queria calar a poesia urbana e livre que me encantou no teu cheiro. No teu beijo elétrico e doce.
Mas eu fui. Fui embora levando saudades do sentimento intenso e bruto que você me despertou, e, que agora eu deixava as rodas do ônibus atropelar.
Eu fui embora levando saudades da tua ternura hippie, do seu All Star verde de cadarços coloridos, da sua solidão embrutecida num solo de baixo na madrugada, do cinismo do seu português mal escrito.
Fui embora levando saudades do seu olhar de menino, que era apenas um vazio de ilusões para um coração de cerâmica feito o meu.
Rabiscos
Ando caminhando dentro de mim, brincando com as palavras erradas, para procurar o texto certo que anda preso dentro da minha alma e não quer sair. Parece que imediatamente consigo experimentar o nada que sou agora e vivê-lo com quase a mesma certeza que aprendi a viver meus sonhos. Mas é preciso crescer.
Eu que não quero abandonar a minha intensidade menina de rabiscar o mundo, com as minhas cores estapafúrdias que não comportam mais. Eu que não quero me tornar uma burocrata estúpida vestindo roupas sociais amarrotadas pelo ônibus lotado. Eu quero continuar sonhando na janela.
Mas eu sou um nada e diariamente o mundo me cospe um pouco de realidade, para que eu finque meus pés no chão e entorpeça um pouco da minha alma. Mais um PROZAC, por favor?
Eu. Eu que não sou eu, brigando pelo mundo que eu não vou mudar, vendendo as minhas ideologias num mercado negro, sem receber muito por isso.
Mas são todos os rabiscos, que insistem em sair na calada da noite, quando depois de um dia cheio, algo dentro de mim quis falar. Com a intensidade daquilo que eu nunca calo.
São todos rabiscos saídos, para libertar dentro de mim o texto que já está perdido. E que eu não achei as palavras certas para dizer, aquilo que grita e pulsa desordenado dentro de mim: me ensina a viver com os pés no chão.
Eu que não quero abandonar a minha intensidade menina de rabiscar o mundo, com as minhas cores estapafúrdias que não comportam mais. Eu que não quero me tornar uma burocrata estúpida vestindo roupas sociais amarrotadas pelo ônibus lotado. Eu quero continuar sonhando na janela.
Mas eu sou um nada e diariamente o mundo me cospe um pouco de realidade, para que eu finque meus pés no chão e entorpeça um pouco da minha alma. Mais um PROZAC, por favor?
Eu. Eu que não sou eu, brigando pelo mundo que eu não vou mudar, vendendo as minhas ideologias num mercado negro, sem receber muito por isso.
Mas são todos os rabiscos, que insistem em sair na calada da noite, quando depois de um dia cheio, algo dentro de mim quis falar. Com a intensidade daquilo que eu nunca calo.
São todos rabiscos saídos, para libertar dentro de mim o texto que já está perdido. E que eu não achei as palavras certas para dizer, aquilo que grita e pulsa desordenado dentro de mim: me ensina a viver com os pés no chão.
domingo, setembro 03, 2006
Helgolândia, 2 de setembro
ATA DE CONCLUSÕES EXTRAORDINÁRIAS
"Chico Buarque não é um homem. É um deus."
( "Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia" - Quem te viu, quem te vê)
"Chico Buarque não é um homem. É um deus."
( "Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia" - Quem te viu, quem te vê)
sexta-feira, setembro 01, 2006
O dia em que eu chorei vendo a chuva
Desliguei o telefone renunciando os meus dias de ansiedade, para respirar tranqüilamente e recuperar a minha calma, o meu espaço. Olhei de volta e meu mundo que continuava ali, com os mesmos trabalhos se multiplicando sobre a mesa, já me pedia para que eu abandonasse meu coração e voltasse a viver. E voltei.
Quando eu deixei você ir, ainda que eu não quisesse, ainda que eu resistisse, ainda que eu sonhasse, abandonei o teu sorriso para recuperar a minha paz. Essa mesma que você me tirou em um piscar de olhos, quando eu achava que tudo em mim já era tão meu, que ninguém jamais tiraria. Mas você tirou o meu sossego, tão logo o reconheci fácil no teu sono e no teu abraço. E o meu desejo, foi só do teu beijo. Tão rápido chegou, tão rápido partiu.
E enquanto você ia, algumas lágrimas chegavam, não sei se de tristeza ou de felicidade. Ainda que meu coração sentisse a perda, eu sorria por senti-lo ainda cheio. Porque ando olhando as pessoas e seus passados com a humildade daquilo que não nos pertence. E o que me pertencia, ali, partindo na janela do trem da paixão, era apenas aquele sentimento intenso que agora eu guardava na mala, para viver outras coisas.
Foi nesse dia em que eu me senti a pessoa mais sozinha do mundo. Nesse dia eu me senti a pessoa mais livre do mundo. Por saber que todas as pessoas que passam nas nossas vidas acabam nos transformando, deixando algumas marcas. E por compreender que ainda que essas marcas fiquem, colorindo a nossa vontade insana de respirar continuamente, as pessoas sempre vão.
Olhei para a dor com um pouco mais de carinho, pois diante dos meus olhos era só mais um desencontro. Desses que acontecem aos montes por aí.
Mas eu ainda sorria pelo fato dele ter sido um encontro e um momento inexplicável de arte.
Foi o dia em que vi o amor sem poesia, para me perguntar se a gente deve compreendê-lo ou esquecê-lo, por ele nos dar e nos tirar tanta vida.
Quando eu deixei você ir, ainda que eu não quisesse, ainda que eu resistisse, ainda que eu sonhasse, abandonei o teu sorriso para recuperar a minha paz. Essa mesma que você me tirou em um piscar de olhos, quando eu achava que tudo em mim já era tão meu, que ninguém jamais tiraria. Mas você tirou o meu sossego, tão logo o reconheci fácil no teu sono e no teu abraço. E o meu desejo, foi só do teu beijo. Tão rápido chegou, tão rápido partiu.
E enquanto você ia, algumas lágrimas chegavam, não sei se de tristeza ou de felicidade. Ainda que meu coração sentisse a perda, eu sorria por senti-lo ainda cheio. Porque ando olhando as pessoas e seus passados com a humildade daquilo que não nos pertence. E o que me pertencia, ali, partindo na janela do trem da paixão, era apenas aquele sentimento intenso que agora eu guardava na mala, para viver outras coisas.
Foi nesse dia em que eu me senti a pessoa mais sozinha do mundo. Nesse dia eu me senti a pessoa mais livre do mundo. Por saber que todas as pessoas que passam nas nossas vidas acabam nos transformando, deixando algumas marcas. E por compreender que ainda que essas marcas fiquem, colorindo a nossa vontade insana de respirar continuamente, as pessoas sempre vão.
Olhei para a dor com um pouco mais de carinho, pois diante dos meus olhos era só mais um desencontro. Desses que acontecem aos montes por aí.
Mas eu ainda sorria pelo fato dele ter sido um encontro e um momento inexplicável de arte.
Foi o dia em que vi o amor sem poesia, para me perguntar se a gente deve compreendê-lo ou esquecê-lo, por ele nos dar e nos tirar tanta vida.
terça-feira, agosto 29, 2006
It Ain't me, babe
(Eu nunca contei pra ninguém, mas o verdadeiro príncipe da Helgolândia é o Bob Dylan)
It Ain´t me, babe
Go 'way from my window,
Leave at your own chosen speed.
I'm not the one you want, babe,
I'm not the one you need.
You say you're lookin' for someone
Never weak but always strong,
To protect you an' defend you
Whether you are right or wrong,
Someone to open each and every door,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
Go lightly from the ledge, babe,
Go lightly on the ground.
I'm not the one you want, babe,
I will only let you down.
You say you're lookin' for someone
Who will promise never to part,
Someone to close his eyes for you,
Someone to close his heart,
Someone who will die for you an' more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
Go melt back into the night, babe,
Everything inside is made of stone.
There's nothing in here moving
An' anyway I'm not alone.
You say you're looking for someone
Who'll pick you up each time you fall,
To gather flowers constantly
An' to come each time you call,
A lover for your life an' nothing more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
It Ain´t me, babe
Go 'way from my window,
Leave at your own chosen speed.
I'm not the one you want, babe,
I'm not the one you need.
You say you're lookin' for someone
Never weak but always strong,
To protect you an' defend you
Whether you are right or wrong,
Someone to open each and every door,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
Go lightly from the ledge, babe,
Go lightly on the ground.
I'm not the one you want, babe,
I will only let you down.
You say you're lookin' for someone
Who will promise never to part,
Someone to close his eyes for you,
Someone to close his heart,
Someone who will die for you an' more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
Go melt back into the night, babe,
Everything inside is made of stone.
There's nothing in here moving
An' anyway I'm not alone.
You say you're looking for someone
Who'll pick you up each time you fall,
To gather flowers constantly
An' to come each time you call,
A lover for your life an' nothing more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Otimismo
" Mas o tempo linear é uma invenção do ocidente. O tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado onde, a qualquer instante podem ser escolhidos pontos, e inventadas soluções, sem começo nem fim"
(Lina Bo Bardi)
(Lina Bo Bardi)
quinta-feira, agosto 24, 2006
Crime e castigo
Quando o coração subiu no trem da paixão e confortavelmente se acomodou na janelinha, ele ainda não havia percebido que você já se despedia na plataforma. E mesmo solitário, o coração respirou fundo e feliz quando o trem acelerou com a velocidade que lhe era típica e cega.
A viagem prosseguiu até a estação do êxtase, onde o trem parou no mesmo segundo em que o coração já mal conseguia respirar. E aquela sensação fugaz de felicidade que lhe parecia tão verdadeira, fez com que o coração quisesse descer logo ali, se o itinerário da paixão não prometesse muito mais.
Prosseguiu até a estação da inquietude, onde a felicidade intensa de outrora, já lhe tirava a paz e a concentração. O coração então, decidiu ir até a próxima estação para acreditar. Pois a alegria agora ganhava contornos de cansaço, vertigem. Náusea.
Parou na estação do medo,mas não desceu.Temendo perder a felicidade que ainda lhe parecia real, o coração se agarrou em si mesmo lembrando incansavelmente do seu sorriso. Seguiu até a estação da angústia, onde o tempo da ilusão já andava mais lento.
Desceu finalmente na estação da tristeza. Ponto final do itinerário da paixão. Despediu-se cansado daquela viagem inusitada e quando colocou os pés em terra firme, sentiu-lhe de súbito o sangue escorrer pelas costas. E, com a agonia da respiração interrompida, caiu no chão sem mais agüentar. Levou três tiros os quais nunca soube quem quis lhe dar, pois a viagem não falava do risco que era se apaixonar. E foi assim o amor morreu. No ponto final do trem da paixão.
A viagem prosseguiu até a estação do êxtase, onde o trem parou no mesmo segundo em que o coração já mal conseguia respirar. E aquela sensação fugaz de felicidade que lhe parecia tão verdadeira, fez com que o coração quisesse descer logo ali, se o itinerário da paixão não prometesse muito mais.
Prosseguiu até a estação da inquietude, onde a felicidade intensa de outrora, já lhe tirava a paz e a concentração. O coração então, decidiu ir até a próxima estação para acreditar. Pois a alegria agora ganhava contornos de cansaço, vertigem. Náusea.
Parou na estação do medo,mas não desceu.Temendo perder a felicidade que ainda lhe parecia real, o coração se agarrou em si mesmo lembrando incansavelmente do seu sorriso. Seguiu até a estação da angústia, onde o tempo da ilusão já andava mais lento.
Desceu finalmente na estação da tristeza. Ponto final do itinerário da paixão. Despediu-se cansado daquela viagem inusitada e quando colocou os pés em terra firme, sentiu-lhe de súbito o sangue escorrer pelas costas. E, com a agonia da respiração interrompida, caiu no chão sem mais agüentar. Levou três tiros os quais nunca soube quem quis lhe dar, pois a viagem não falava do risco que era se apaixonar. E foi assim o amor morreu. No ponto final do trem da paixão.
domingo, agosto 20, 2006
Inevitável
" Se eu tivesse mais alma para dar eu daria. Isso para mim é viver"
(Caetano Veloso, inevitável é aprender a dor e a delícia de ser o que é)
(Caetano Veloso, inevitável é aprender a dor e a delícia de ser o que é)
domingo, agosto 13, 2006
"A maldição da boca verde"
A tarde ia caindo enquanto Cinderhelga derretia um olhar triste sobre o horizonte da Helgolândia. Debruçada sobre a janela mais alta da Torre do Tempo, a princesa se deixava levar pelos pensamentos que se desfaziam entre um suspiro tedioso e outro, até que foi surpreendida pela chegada do indiscreto Coração...
Coração: Princesa Cinderhelga, o que esta fazendo tão solitária aqui na Torre do Tempo?
Cinderhelga: Nada... Estou só pensando sobre a vida...
(O Coração então se aproximou e pode notar algo diferente nos lábios da princesa)
Coração: Urgh! O que é isso na sua boca? Ela esta verde!!!!
Cinder: (aborrecida). Pois é, beijei outro príncipe e ele virou sapo...
Coração: Mas como assim, virou sapo? Não era o contrário, você beijava o sapo e ele virava príncipe?
Cinder: Não, Coração, isso acontecia naqueles contos de fadas antigos... Aqui na Helgolândia os príncipes já vêm prontos, lembra-se? Você mesmo é quem sinaliza logo que aparece um...
Coração: Eu ou a sua imaginação?
Cinder: Lá vem... Não estou disposta a discussões sobre o meu comportamento amoroso agora. Já avisei que estou de TPM?
Coração: Você nunca vai aprender né?
Cinder: Não... E quer saber? Acho que isso é uma maldição de alguma bruxa má de Solteirópolis. Eu sei, naquele lugar só tem gente invejosa e elas devem ter me lançado alguma urucubaca para eu ficar solteirona e mal amada para o resto da minha vida.
Coração: É pior do que eu pensava! Ainda por cima você esta com mania de perseguição!
Cinder: Eu?!? Você é engraçado sabia? Primeiro você se desmancha pelos caras mais nada a ver que eu conheço. É sempre assim, um olhar carinhoso, mensagenzinhas no celular, flores, jantares, papos cabeça e pronto. Lá esta você com cara de bobo... Você é o sujeito mais fácil aqui da Helgolândia. Parece até que você gosta de ser enganado.
Coração: Olha, eu acho que você esta me confundindo com o Bobo da Corte...
Cinder: Não estou não! Veja só se não é verdade: toda vez que aparece um projeto de príncipe aqui na Helgolândia você já fica amigo, leva para tomar cerveja, se apega. Eu fico atrás de você dizendo que não é para você fazer isso, que você não deve confiar tanto nas pessoas...
Coração: Mas eu sou um bom Coração!!
Cinder: Um bom coração ou um bobo coração?
Coração: Olha Cinder, eu não devia, mas vou te dizer. Sou bacana com todas as pessoas que chegam na Helgolândia, porque você sabe, é da minha natureza ser amoroso, carinhoso e romântico. Mas eu sou assim com todo mundo. Eu nunca te disse que fulano ou beltrano dariam para um bom príncipe. Você que se antecipa com essa sua mania de ter expectativas sobre tudo...
Cinder: Eu?! Expectativas? Não estou ouvindo isso...
Coração: Esta sim! Você, com essas suas expectativas esquece que todo sapo é meio príncipe e todo príncipe é meio sapo.
Cinder: Sem essa agora! Já superamos a era dos contos de fadas antigos!!! Hoje os príncipes já vêm prontos, com certificados de qualidade, pós-graduação e MBA! Na modernidade não tem a necessidade de se ter aquela parte chata, gosmenta e verde de antes... Adeus a Era Sapo!!! Príncipe que é príncipe já vem pronto!
Coração: Será?!
Cinder: Eu tenho certeza disso... E quem discorda que vá para Solteirópolis ser feliz para sempre lá.
Coração: Eu achava que você era feliz solteira
Cinder: Mas eu sou!
Coração: Então porque é que você se preocupa tanto em achar um príncipe?
Cinder: Porque nos contos de fada é sempre assim... A princesa acha o príncipe e é feliz para sempre!
Coração: Mas isso não são nos contos de fadas antigos? E a Helgolândia não é a modernidade?
Cinder: Grrrrrrr!!! Para mim já chega! Já não me basta essa boca verde e eu ainda tenho que aturar um Coração metido a filósofo! Quer saber? Fodam-se os príncipes, fodam-se os sapos! E me deixa em paz que eu não te chamei aqui!
Coração: Adoro quando você fica bravinha!
Cinder: F-o-r-a!
Coração: Ta bom, ta bom, já vou indo... Mas antes eu tenho que te dizer uma coisa. Ninguém é feliz para sempre porque encontrou um príncipe. Nem é infeliz para sempre porque ficou com um sapo. Porque todo mundo tem um lado sapo e um lado príncipe. O amor impossível, esse que só vem com príncipes e que a gente sempre acaba buscando, é também o amor que esta a todo tempo indo embora. Porque o tempo, cedo ou tarde, nos revela aquilo que todos nós temos de mais verdes. E ai? O amor acaba?
Acho que esta na hora da senhorita aprender que a gente se apaixona e quando não dá certo dói mesmo, independente do príncipe ter sido príncipe ou ter virado sapo. E precisa aprender também que aquela história de “final feliz” foi um lugar comum que um autor pouco criativo inventou, porque não sabia como terminar a história. Porque na verdade, a felicidade não fica lá no final te esperando, entende? A felicidade esta ai, entre os altos e baixos da vida.
Se você se esquece na Torre do Tempo, e fica esperando que a felicidade chegue só no final, ou ainda, que ela venha disfarçada de sapo, ou de príncipe, corre o risco de acabar infeliz para sempre...
Coração: Princesa Cinderhelga, o que esta fazendo tão solitária aqui na Torre do Tempo?
Cinderhelga: Nada... Estou só pensando sobre a vida...
(O Coração então se aproximou e pode notar algo diferente nos lábios da princesa)
Coração: Urgh! O que é isso na sua boca? Ela esta verde!!!!
Cinder: (aborrecida). Pois é, beijei outro príncipe e ele virou sapo...
Coração: Mas como assim, virou sapo? Não era o contrário, você beijava o sapo e ele virava príncipe?
Cinder: Não, Coração, isso acontecia naqueles contos de fadas antigos... Aqui na Helgolândia os príncipes já vêm prontos, lembra-se? Você mesmo é quem sinaliza logo que aparece um...
Coração: Eu ou a sua imaginação?
Cinder: Lá vem... Não estou disposta a discussões sobre o meu comportamento amoroso agora. Já avisei que estou de TPM?
Coração: Você nunca vai aprender né?
Cinder: Não... E quer saber? Acho que isso é uma maldição de alguma bruxa má de Solteirópolis. Eu sei, naquele lugar só tem gente invejosa e elas devem ter me lançado alguma urucubaca para eu ficar solteirona e mal amada para o resto da minha vida.
Coração: É pior do que eu pensava! Ainda por cima você esta com mania de perseguição!
Cinder: Eu?!? Você é engraçado sabia? Primeiro você se desmancha pelos caras mais nada a ver que eu conheço. É sempre assim, um olhar carinhoso, mensagenzinhas no celular, flores, jantares, papos cabeça e pronto. Lá esta você com cara de bobo... Você é o sujeito mais fácil aqui da Helgolândia. Parece até que você gosta de ser enganado.
Coração: Olha, eu acho que você esta me confundindo com o Bobo da Corte...
Cinder: Não estou não! Veja só se não é verdade: toda vez que aparece um projeto de príncipe aqui na Helgolândia você já fica amigo, leva para tomar cerveja, se apega. Eu fico atrás de você dizendo que não é para você fazer isso, que você não deve confiar tanto nas pessoas...
Coração: Mas eu sou um bom Coração!!
Cinder: Um bom coração ou um bobo coração?
Coração: Olha Cinder, eu não devia, mas vou te dizer. Sou bacana com todas as pessoas que chegam na Helgolândia, porque você sabe, é da minha natureza ser amoroso, carinhoso e romântico. Mas eu sou assim com todo mundo. Eu nunca te disse que fulano ou beltrano dariam para um bom príncipe. Você que se antecipa com essa sua mania de ter expectativas sobre tudo...
Cinder: Eu?! Expectativas? Não estou ouvindo isso...
Coração: Esta sim! Você, com essas suas expectativas esquece que todo sapo é meio príncipe e todo príncipe é meio sapo.
Cinder: Sem essa agora! Já superamos a era dos contos de fadas antigos!!! Hoje os príncipes já vêm prontos, com certificados de qualidade, pós-graduação e MBA! Na modernidade não tem a necessidade de se ter aquela parte chata, gosmenta e verde de antes... Adeus a Era Sapo!!! Príncipe que é príncipe já vem pronto!
Coração: Será?!
Cinder: Eu tenho certeza disso... E quem discorda que vá para Solteirópolis ser feliz para sempre lá.
Coração: Eu achava que você era feliz solteira
Cinder: Mas eu sou!
Coração: Então porque é que você se preocupa tanto em achar um príncipe?
Cinder: Porque nos contos de fada é sempre assim... A princesa acha o príncipe e é feliz para sempre!
Coração: Mas isso não são nos contos de fadas antigos? E a Helgolândia não é a modernidade?
Cinder: Grrrrrrr!!! Para mim já chega! Já não me basta essa boca verde e eu ainda tenho que aturar um Coração metido a filósofo! Quer saber? Fodam-se os príncipes, fodam-se os sapos! E me deixa em paz que eu não te chamei aqui!
Coração: Adoro quando você fica bravinha!
Cinder: F-o-r-a!
Coração: Ta bom, ta bom, já vou indo... Mas antes eu tenho que te dizer uma coisa. Ninguém é feliz para sempre porque encontrou um príncipe. Nem é infeliz para sempre porque ficou com um sapo. Porque todo mundo tem um lado sapo e um lado príncipe. O amor impossível, esse que só vem com príncipes e que a gente sempre acaba buscando, é também o amor que esta a todo tempo indo embora. Porque o tempo, cedo ou tarde, nos revela aquilo que todos nós temos de mais verdes. E ai? O amor acaba?
Acho que esta na hora da senhorita aprender que a gente se apaixona e quando não dá certo dói mesmo, independente do príncipe ter sido príncipe ou ter virado sapo. E precisa aprender também que aquela história de “final feliz” foi um lugar comum que um autor pouco criativo inventou, porque não sabia como terminar a história. Porque na verdade, a felicidade não fica lá no final te esperando, entende? A felicidade esta ai, entre os altos e baixos da vida.
Se você se esquece na Torre do Tempo, e fica esperando que a felicidade chegue só no final, ou ainda, que ela venha disfarçada de sapo, ou de príncipe, corre o risco de acabar infeliz para sempre...
terça-feira, agosto 01, 2006
Princípio da ampla defesa e do contraditório
"Amo também o balé jurídico da impunidade. Assim que se pega o gatuno, ali, na boca da cumbuca, ali, na hora da mão grande, surgem logo os advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, cínica serenidade de cafajestes e, por trás deles, vemos as faculdades malfeitas, as chicaninhas decoradas, os diplomas comprados.
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e freguesa, feita de protelações, desaforamentos, instâncias infinitas, até o momento em que surge um juíz decente e jovem, que condena alguém e é logo chamado de "exibicionista"...
(Arnaldo Jabor, "Adoro sepulcros caiados e lágrimas de crocodilo", in "Amor é prosa, sexo é poesia")
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e freguesa, feita de protelações, desaforamentos, instâncias infinitas, até o momento em que surge um juíz decente e jovem, que condena alguém e é logo chamado de "exibicionista"...
(Arnaldo Jabor, "Adoro sepulcros caiados e lágrimas de crocodilo", in "Amor é prosa, sexo é poesia")
Assinar:
Postagens (Atom)