domingo, agosto 20, 2006

Inevitável

" Se eu tivesse mais alma para dar eu daria. Isso para mim é viver"

(Caetano Veloso, inevitável é aprender a dor e a delícia de ser o que é)

domingo, agosto 13, 2006

"A maldição da boca verde"

A tarde ia caindo enquanto Cinderhelga derretia um olhar triste sobre o horizonte da Helgolândia. Debruçada sobre a janela mais alta da Torre do Tempo, a princesa se deixava levar pelos pensamentos que se desfaziam entre um suspiro tedioso e outro, até que foi surpreendida pela chegada do indiscreto Coração...

Coração: Princesa Cinderhelga, o que esta fazendo tão solitária aqui na Torre do Tempo?
Cinderhelga: Nada... Estou só pensando sobre a vida...
(O Coração então se aproximou e pode notar algo diferente nos lábios da princesa)
Coração: Urgh! O que é isso na sua boca? Ela esta verde!!!!
Cinder: (aborrecida). Pois é, beijei outro príncipe e ele virou sapo...
Coração: Mas como assim, virou sapo? Não era o contrário, você beijava o sapo e ele virava príncipe?
Cinder: Não, Coração, isso acontecia naqueles contos de fadas antigos... Aqui na Helgolândia os príncipes já vêm prontos, lembra-se? Você mesmo é quem sinaliza logo que aparece um...
Coração: Eu ou a sua imaginação?
Cinder: Lá vem... Não estou disposta a discussões sobre o meu comportamento amoroso agora. Já avisei que estou de TPM?
Coração: Você nunca vai aprender né?
Cinder: Não... E quer saber? Acho que isso é uma maldição de alguma bruxa má de Solteirópolis. Eu sei, naquele lugar só tem gente invejosa e elas devem ter me lançado alguma urucubaca para eu ficar solteirona e mal amada para o resto da minha vida.
Coração: É pior do que eu pensava! Ainda por cima você esta com mania de perseguição!
Cinder: Eu?!? Você é engraçado sabia? Primeiro você se desmancha pelos caras mais nada a ver que eu conheço. É sempre assim, um olhar carinhoso, mensagenzinhas no celular, flores, jantares, papos cabeça e pronto. Lá esta você com cara de bobo... Você é o sujeito mais fácil aqui da Helgolândia. Parece até que você gosta de ser enganado.
Coração: Olha, eu acho que você esta me confundindo com o Bobo da Corte...
Cinder: Não estou não! Veja só se não é verdade: toda vez que aparece um projeto de príncipe aqui na Helgolândia você já fica amigo, leva para tomar cerveja, se apega. Eu fico atrás de você dizendo que não é para você fazer isso, que você não deve confiar tanto nas pessoas...
Coração: Mas eu sou um bom Coração!!
Cinder: Um bom coração ou um bobo coração?
Coração: Olha Cinder, eu não devia, mas vou te dizer. Sou bacana com todas as pessoas que chegam na Helgolândia, porque você sabe, é da minha natureza ser amoroso, carinhoso e romântico. Mas eu sou assim com todo mundo. Eu nunca te disse que fulano ou beltrano dariam para um bom príncipe. Você que se antecipa com essa sua mania de ter expectativas sobre tudo...
Cinder: Eu?! Expectativas? Não estou ouvindo isso...
Coração: Esta sim! Você, com essas suas expectativas esquece que todo sapo é meio príncipe e todo príncipe é meio sapo.
Cinder: Sem essa agora! Já superamos a era dos contos de fadas antigos!!! Hoje os príncipes já vêm prontos, com certificados de qualidade, pós-graduação e MBA! Na modernidade não tem a necessidade de se ter aquela parte chata, gosmenta e verde de antes... Adeus a Era Sapo!!! Príncipe que é príncipe já vem pronto!
Coração: Será?!
Cinder: Eu tenho certeza disso... E quem discorda que vá para Solteirópolis ser feliz para sempre lá.
Coração: Eu achava que você era feliz solteira
Cinder: Mas eu sou!
Coração: Então porque é que você se preocupa tanto em achar um príncipe?
Cinder: Porque nos contos de fada é sempre assim... A princesa acha o príncipe e é feliz para sempre!
Coração: Mas isso não são nos contos de fadas antigos? E a Helgolândia não é a modernidade?
Cinder: Grrrrrrr!!! Para mim já chega! Já não me basta essa boca verde e eu ainda tenho que aturar um Coração metido a filósofo! Quer saber? Fodam-se os príncipes, fodam-se os sapos! E me deixa em paz que eu não te chamei aqui!
Coração: Adoro quando você fica bravinha!
Cinder: F-o-r-a!
Coração: Ta bom, ta bom, já vou indo... Mas antes eu tenho que te dizer uma coisa. Ninguém é feliz para sempre porque encontrou um príncipe. Nem é infeliz para sempre porque ficou com um sapo. Porque todo mundo tem um lado sapo e um lado príncipe. O amor impossível, esse que só vem com príncipes e que a gente sempre acaba buscando, é também o amor que esta a todo tempo indo embora. Porque o tempo, cedo ou tarde, nos revela aquilo que todos nós temos de mais verdes. E ai? O amor acaba?
Acho que esta na hora da senhorita aprender que a gente se apaixona e quando não dá certo dói mesmo, independente do príncipe ter sido príncipe ou ter virado sapo. E precisa aprender também que aquela história de “final feliz” foi um lugar comum que um autor pouco criativo inventou, porque não sabia como terminar a história. Porque na verdade, a felicidade não fica lá no final te esperando, entende? A felicidade esta ai, entre os altos e baixos da vida.
Se você se esquece na Torre do Tempo, e fica esperando que a felicidade chegue só no final, ou ainda, que ela venha disfarçada de sapo, ou de príncipe, corre o risco de acabar infeliz para sempre...

terça-feira, agosto 01, 2006

Princípio da ampla defesa e do contraditório

"Amo também o balé jurídico da impunidade. Assim que se pega o gatuno, ali, na boca da cumbuca, ali, na hora da mão grande, surgem logo os advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, cínica serenidade de cafajestes e, por trás deles, vemos as faculdades malfeitas, as chicaninhas decoradas, os diplomas comprados.
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e freguesa, feita de protelações, desaforamentos, instâncias infinitas, até o momento em que surge um juíz decente e jovem, que condena alguém e é logo chamado de "exibicionista"...

(Arnaldo Jabor, "Adoro sepulcros caiados e lágrimas de crocodilo", in "Amor é prosa, sexo é poesia")

segunda-feira, julho 31, 2006

Pai

Um dia ainda quero te encontrar na esquina da desilusão, para dizer que não preciso mais seguir os teus passos, que não preciso mais dos teus abraços, do seu dinheiro e do teu olhar de desaprovação. Um dia vou te encontrar tão grande que vou me esquecer o quanto sou pequena e que não sei nada da vida. Um dia não vou mais ter medo de escuro, de injeção e de ser feliz. Eu vou acordar de bom humor de manhã cedo. Um dia vou te convencer a caminhar algumas horas em silêncio comigo, não porque você esta gordo, mas porque às vezes você me faz falta. Um dia eu ainda vou fazer você se arrepender de dizer que quando você morrer eu vou morrer de saudades. Porque eu vou mesmo. Um dia eu vou deixar de ser a culpa do seu passado mal resolvido e quem sabe ai, me mudo para a pensão da Dona Genoveva, que tantas vezes eu te ouvi amaldiçoar. Um dia eu não vou mais correr para os teus braços porque o mundo anda pesado demais, porque a vida vai me ensinar a chorar sozinha no escuro do meu quarto e eu vou levantar mais forte depois.Um dia eu vou construir meu futuro sem esperar que você esteja na platéia. Um dia eu vou deixar de ser a menina que eu sempre sou quando você me abraça e me dá aquele beijo melado que eu odeio.Um dia eu vou me odiar menos por te amar tanto.

quarta-feira, julho 26, 2006

Psicografia

Quando a encontrei, ela já estava com os olhos fundos e pequenos, mergulhados na melancolia do samba bem tocado e da cerveja bem gelada. Escrevia freneticamente num pedaço de guardanapo todas as suas angústias esperando do papel os ouvidos atenciosos, que nessa hora, estavam ocupados demais com aquele samba. Sentei por perto, silenciosamente, tentando compreender o que se passava. Com os movimentos vagarosamente alcoolizados, ela pousou o guardanapo todo rabiscado na minha frente e me pediu para que lesse. Li atentamente aquele aglomerado de palavras tentando compreender psicografia do medo do amor. Porque era mais fácil que o amor fosse espírito do que realidade. O que é etéreo não machuca, só assusta.
E aquela cena me lembrou muito um trecho de “O pequeno príncipe” em que, ao encontrar um bêbado ele faz a seguinte pergunta “Porque você bebe?”, e o bêbado responde “Bebo para esquecer”. Intrigado o principezinho retruca “esquecer o quê?” e o bêbado responde “esquecer a vergonha que eu tenho de beber”. E assim, exatamente dessa forma, ela me apresentava o amor: como se ele fosse para nunca ser vivido, afim de nós nos poupássemos da nossa autêntica fragilidade humana.
Ai ela me perguntou sobre aquilo que eu compreendia da subjetividade da sua psicografia maluca. E eu, com a sinceridade que somente o álcool permite, respondi que muito pouco. Mas na verdade eu compreendia muito, e, de certa forma pactuava a sua vontade de transformar o amor em algo tão distante da realidade, que a paixão, quando acabasse, fosse como se nunca tivesse existido.
E seria então tudo mágico, se não houvesse o nosso desespero humano de esperar a mensagem do celular, o convite para o aniversário que não veio, o sorriso que iluminava os segundos perdidos do nosso dia. Seria mágico se o medo não fizesse a gente martelar na nossa testa a palavra “amiga”, para conter aquela vontade incontida se ser amor.
E a minha amiga estava ali, incontida e frágil em cima de um papel rabiscado, tentando enfim traçar a receita mágica da paixão indolor.
Receita que eu também não sei. Mas se eu pudesse te dizer, diria que o único amor que dói é aquele que a agente não viveu. Porque aquele que a gente viveu mas não deu certo, o tempo cura.

sábado, julho 15, 2006

Da arte que simplesmente admiro

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

(Fernando Pessoa)

Um bom samba, um bom jazz e um bom texto...

As perguntas nunca calam quando o assunto é o sofrimento ou a indignação, que às vezes trago nas minhas palavras, nessa estranha brincadeira que faço: a minha própria verborragia relatada. E não me sinto dissecada, numa mesa de anatomia, quando falo de uma tristeza ou de algo que me perturba o sono ou a alma. Não me incomoda a incidência da primeira pessoa no verbo, ainda que o verbo seja “doer”. Embora em nenhum momento eu escape ao crivo dos meus amigos ou daqueles que me conhecem. Muita gente me pergunta: Porque raios publicar um sofrimento que poderia ficar ali, guardado em uma pasta do seu Word? Como se a leitura daquilo que eu escrevo fosse algo compulsório. Muita gente entende que descrever a tristeza e publicar num blog é uma espécie de sado-masoquismo para um voyeur virtual desconhecido, ou, trocando em miúdos, uma exposição desnecessária.
Num mundo onde se compra felicidade em um comprimido de Prozac, não me estranha que as pessoas se acostumem a condenar a falta da felicidade alheia. Num país cujo analfabetismo funcional seja em percentuais tão absurdos, também não me causa espanto que o fato de gostar de escrever, ainda mais sobre a tristeza, seja considerado uma patologia das mais crônicas, das mais graves. Praticamente sintomas de uma depressiva em potencial, ou quem sabe, de uma síndrome ainda inexplorada pela psiquiatria.
Porque relatar um pedaço da tristeza é renunciar um pouco dessa felicidade que todos nós compramos nas propagandas de margarina, e tentamos fazer dela um pouco a nossa existência. Pois bem, eu abdiquei do meu compromisso de ser feliz nas minhas palavras e me sinto à vontade para descrever esse sentimento tão condenável que é a tristeza. Simplesmente o faço sem nenhuma culpa, desnudo e sincero, na primeira pessoa. Porque se tivesse um pincel e aprendesse a pintar, pintaria um quadro. Se tivesse um violão e aprendesse a tocar, faria uma música. Mas aprendi com as palavras a fazer a minha estranha arte, que é tão direta e crua e às vezes toca a sensibilidade de um leitor mais desprotegido da sua pretensa obrigação de ser feliz. Mas logo em seguida, lhe vem a reação não menos humana, de condenar: afinal é melhor ser alegre que ser triste.
Tenho certo que a alegria caricata, que é tão típica do palhaço, se fizesse parte das minhas palavras, nunca seria real e me pouparia muitas linhas. A alegria a gente tem vivendo e não descrevendo. A tristeza não. A tristeza busca a complexidade das palavras, faz a dança dos verbos, sujeitos e a adjetivos se tornar humana. Porque a tristeza precisa de compreensão e não do esquecimento. É certo que como diz o mestre das palavras, que para mim é Carlos Drummond de Andrade, que a dor é inevitável o sofrimento é opcional. Mas é certo também que falar de tristeza não é necessariamente sofrer incondicionalmente. É , ao menos na minha estranha dinâmica, meu jeito de expressar e de interagir, de não deixar a tristeza cair no esquecimento.
Mas não escondo que gosto daquela melancolia de final de domingo, daquela tristeza que sobrevêm com a ressaca, da mágoa explicita no fundo do copo de cerveja, da ferida aberta dos meus desamores dissecados. Porque o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.
E um bom samba, um bom jazz e um bom texto se fazem sim com um bocado de tristeza!

sexta-feira, julho 07, 2006

Eu sonhei

Sonhei com brejo de principes na Helgolândia. Era um cenário de Tim Burton. Tinha um monte de rostos bonitos sorrindo no meio de um monte de lama, e junto com eles, umas poesias do Vinicius e do Drummond e uma confusão de sentimentos. Senti tudo olhando para aquele lugar...
Tinha um coração partido flutuando no meio da lama. E tocava incessantemente "My funny Valentine" na voz do Chet Baker...

sexta-feira, junho 30, 2006

"Foda-se"

Conversando com muitas pessoas por esta vida, acho que encontrei o mais potente dos anti-depressivos: o real e moderno caminho da felicidade. Cem por cento natural, não contém transgênicos, sem nenhuma contra indicação, além de ser acessível a qualquer bolso. Rola um certo modismo por aí, afinal é dificil encontrar quem não se valha dele. Confesso que também me rendi.
Prático, cabe na bolsa e desde de a invenção do "abracadabra" e dos psicotrópicos de última geração, nenhum substantivo ou subtância tinha um potencial tão mágico quanto este. Trata-se do "Foda-se".
"Foda-se" ultrapassa a eficiência de um produto comum: pode ser consumido a qualquer momento, sem nenhuma restrição.
Seu manuseio supera as expectativas. O "foda-se" é simples, não precisa de refrigeramento ou temperatura especial, cabe em qualquer espaço, adaptável a todas as situações. E o resultado? I-me-di-a-to. "Foda-se" produz, logo após seu manuseio, um sorriso e um alívio instantâneos. Quer ver?
Pegue uma situação. Qualquer uma da sua vida. Pense naquela que anda te incomodando mais ultimamente. Mentalize com força... Vamos lá? Não acordou num cenário de propaganda de margarina? Pior... Brigou com o chefe? Com a mãe? Com o namorado? Apaixonou-se e levou um pé na bunda? Foi demitido? Engordou três kilos? Foi mal na prova? Teve uma puta dor de barriga no meio de uma reunião importantíssima? Bateu o carro? Cólica menstrual? Calos no pé? Saudade? Frieiras? Solidão? Sarna?Ansiedade? Gripe? Crise existencial? Separação dos pais? Conta do banco no vermelho? Seus problemas acadaram...
Respire fundo, vai sentindo o ventinho do "F" bem ali na frente da sua boca. Deixa vir de dentro, sem medo... Isso. Tá indo bem. Inclui o "O" agora... Deixa fluir o "Fo", já junta com o "Da", mas não se esquece da entonação e da respiração. Isso são detalhes importantissimos! Agora vai vindo! Isso, sem deixar parar sai o "se". Junta tudo, "Foda-se"! Cade o problema? Aposto que você nem se lembra mais dele.
"Foda-se" é assim, imune a todos os incomôdos. Porque o "foda-se" nos torna adapatáveis ao sofrimento. Com o "foda-se" não tem tempo ruim, melancolia de final de domingo ou solidão... Por isso? Se algum sapo não te desce na garganta, não tenha dúvida, beba com um gole de "foda-se" e tudo estará melhor. O "foda-se" desce redondo. Desce macio e reanima!
"Foda-se" em doses não homeopáticas, três vezes ao dia, depois das refeições principais. De repente sua vida começar a andar tão rápido, que você sentirá que o sofrimento não te alcança mais. Pois, quando ele estiver por perto, você já ativou o "foda-se" e tudo já mudou de cenário. O "Foda-se" desapega, minha gente! O "foda-se" salva.
E a tua força é assim tão grande, que pode até virar religião, comunidade no orkut, política pública ou movimento de esquerda. Adeptos do "Foda-se" uni-vos!
"Foda-se". Nada é imune ao "Foda-se". Pois o homem criou no "foda-se" a sua imagem e semelhança.
Por exemplo agora, talvez esse texto te incomode. O blog assumiu um tom sarcástico e as minhas palavras soam quase como um beliscão na alma? "Foda-se".
"Foda-se" muito tudo isso!
E desde que comecei a utilizar o "foda-se" nada mais me incomodou. Exceto um pequeno detalhe que penso até em dividir com os demais usuários, para ver se isso acontece com vocês também.
Em um dia muito ruim, escovando os dentes, percebi que estava chateada com um monte de coisas na minha vida. Imediatamente, fiz o uso do "foda-se". E lembra-se do suspiro seguido do alívio, que comentei? Pois é, me olhei no espelho e percebi que aquele sorriso pós "foda-se" não era um sorriso comum... não era um sorriso normal. Não iluminava, não desarmava, não revolucionava nada. Por alguns segundos eu percebi que aquele sorriso não me trazia humor para lidar com a vida. Percebi que eu estava me tornando não uma pessoa feliz, mas uma pessoa cínica... Então, tomei outro "foda-se" logo em seguida e passou. Já aconteceu isso com você?

sábado, junho 24, 2006

Momento de histeria jurídico



O ultimo pedido de Saddam...

terça-feira, junho 20, 2006

Você é um bosta

Eu ainda não havia me cansado quando você me ejetou céu abaixo do seu vôo de um piloto só. Ou será que eu mesma me joguei? Fazer parte das tuas asas foi uma sensação leve de experimentar de novo o amor. Sem medo e sem coragem. Por isso, aguardava ansiosa o teu nome piscar na tela do meu celular para depois sorrir de graça, com toda a meninice que o tempo ainda não me consumiu. Mas você foi embora sem que eu pudesse descobir se era louca pelo seu cheiro, pela sua prolixidade, pela sua pinta do lado esquerdo do queixo ou pelas fantasias de Borges que você recria na sua vida. As vezes eu penso que se meu coração tivesse um detector de mentiras, suas palavras não seriam um tapete vermelho para todas as minhas expectativas. Porque te amei, também, pelo que você não deixou acontecer. Como aquele presente que eu devolvi na loja, porque não tive tempo de te dar. Embora tenha desejado o teu sorriso ao recebê-lo.
Quando sobrou só eu e a saudade, fui para a rua e beijei outras bocas, acordei em outras camas e voltei para casa ouvindo Chico Buarque ("e quantas águas rolaram, tantos homens me amaram, bem mais e melhor que você"...) lamentando o meu lado mesquinho que insistia em sofrer por você. Porque com o tempo, descobri que você era bem menor que todos os meus enormes sentimentos.
Eu deixei você apodrecer aqui dentro. Junto com aquele "eu te amo", que você dizia como quem diz um corriqueiro "bom-dia". Como quem brinca com as palavras para fazer propaganda. E brinca com as palavras para encantar o coração alheio. Mas o alumbramento acabou.
E nessas mesmas palavras, eu encontrei a tua função e o meu consolo, talvez você tenha sido apenas um antídoto para outros relacionamentos furados. Outros amores bandidos e maltrapilhos feito esse que você gravou num cd.
Foram nessas mesmas palavras que eu me libertei e quando não soubrou o sentimento nem a resignação, veio o ponto final, a conclusão. Quando penso em você, quando ainda penso, uso o teu mesmo jogo de palavras para contar uma nova verdade. Dessas mesmas verdades que não são absolutas. Mas o que importa? O que importa desde que você fechou aquela porta, para abrir meus olhos de tanta ilusão. E quando vejo e tento negar, para poupar um aconchego para as lembranças, encontro apenas impossibilidades. Porque as pessoas são, aquilo que elas são. Hoje. E sem negar o passado, sem contar histórias para mim mesma, para desconsiderar sua poética rescunhada de Garcia Lorca, eu precisava dizer.Sem o tom piegas de um amor mal vivido. Sem a nota saudosa de um passado compartilhado. Sem negar o que a realidade nos escarra e o que os olhos lavam com as lágrimas.
Para mim você é um bosta. E ponto final. E um dia eu precisava escrever isso.

segunda-feira, junho 19, 2006

Sobrenome Projeto 2

"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"...
(John Lennon Projeto)

domingo, junho 18, 2006

Sobre ter ou não ter

"Sometimes I can't move my feet it seems As if I'm stuck in the ground somehow like a tree As if I can't even breathe Oh, and my screams come whispering out As if nobody can even see meLike a ghost, sometimes I can't see myself Sometimes, then again, ohIf I were a kingIf I had everything If I had you and I could give you your dreams If I were giant-sized, on top of it all Then tell me what in the world would I sing for If I had it all Sometimes I feel lost As I pull you out like strings of memories Wish I could weave them into youThen I could figure the whole damn puzzle out Then again, oh"
(If I had it all, Dave Matthew's Band- música para a alma, em dias que se tem nada ou muito pouco)

sexta-feira, junho 16, 2006

Cinderhelga!


Cinderhelga é uma princesa que acorda todos os dias atrasada. Motivo pelo qual despenca de sua torre no décimo primeiro andar mastigando alguma possibilidade de café da manhã. Sorri para o porteiro, que retribui num olhar simpático, demonstrando afinidade com a mocinha atribulada. Corre para o ponto de ônibus, desanimada com a sua pequena realidade metafísica de sardinha. Talvez sobre um lugar, mas o consolo surge fácil em sua mente: quem precisa de um carro quando existe um Jardim Helga até o Vale das virtudes?! É o que pisca no ônibus e a moça diz bom dia então, ao cobrador. Esquecendo-se de que é só mais um ser amarrotado. Trabalha.Desistiu de encontrar príncipes e dada a fartura de sapos que rondam sua tragetória, apaixonou-se pela idéia de montar um brejo. Guarda os amores para um samba de Chico Buarque, inpirados com um jazz e uma luz de velas. Não pensa no par perfeito, mas se desilude com a capacidade das pessoas de desentender sua intensidade. No fundo ela gosta mesmo é da fugacidade das paixões. E tem dificuldades em transformá-las no amor.Vive todas as paixões do mundo, ali sentada no ônibus indo para o trabalho.Inconformada com o cotidiano e a realidade. Vive todas as paixões sentada e pensando, em um banco de ônibus.Vive de dieta, exatamanete porque se alimenta de paixões. E sofre de gastrite porque paixões cultivam temperos fortes demais. Corre para esquecer a vida. Corre para passar o tempo.Sofre de um mal constante, coitada dessa princesa! Precisa de endorfina, serotonina e adrenalina em doses não homeopáticas. Senão ela surta. E poucas pessoas entendem isso.Volta para casa com o estômago em frangalhos e sempre se desilude com uma geladeira de final de mês. Atravessa a rua e vai para a realidade. Nesse mundo do dever ser. Direito e reto, não sabe como entender aquilo que não se escreve nas leis. Bom seria que a vida fosse uma norma. Sintética norma.Depois retorna a Helgolândia para um noite de sono tranquilo. Dessas em que se deseja sonhar voando. Abraça o travesseiro, fecha os olhos lentamente. Quando chove, coloca o rádio perto da cama e dorme com Miles Davis. Sonhando com o dia seguinte que não muda.Projetando a vida mudar.Cinderhelga é uma princesa que acorda atrasada. Mas a par disso, tem dentro de si, todos os projetos de sonhos do mundo.

quinta-feira, junho 15, 2006

Comente! (ou seja bem-vindo!)

Já recebi criticas, elogios, sugestões, telefonemas e mensagens na garrafa por conta deste blog. Recados que na maioria das vezes são deixados pessoalmente e que os recebo com um carinho tão grande, que me transborda o peito. Por vezes, não ignoro os olhos silenciosos, que como os teus, devem estar assistindo atentamente a dança das minhas palavras e, silenciosamente também desejo que elas te tragam um pouco dessa alegria e inspiração, que para mim é escrever. Um orgasmo multiplo de sinapse.
Minha relação com as palavras é de um amor estranho, que eu traduzo na minha maneira intensa de experimentar a vida. E por isso escrevo. O que não passa do texto é a sensação mágica da felicidade que me invade, de me transcrever e traduzir tantas vezes.
Já perguntei para alguns desses leitores porque é que eles não comentam meus textos, e muitos deles apontaram que o meu estilo intimista e pessoal dispensa comentários. Discordo.
Na verdade esse meu monólogo com a palavra, pede um pouco dos teus sentidos também. E se você se inspirar pode me deixar um recado, afinal também tenho um lado de escritora carente! E me preocupo, inclusive, com os meus erros de português.
Talvez, dessas minhas palavras, você nunca tenha encontrado um 'bem-vindo", que fica implicito no meu sorriso ao terminar o post. Que é um parto e uma explosão de arte em mim.Mas que também pode ser de você.
Portanto, explicitamente, meu silencioso leitor, seja bem vindo! Meu estilo intimista não escapa o desejo de te ouvir. Mesmo que seja um sonoro "vai tomar no cú, Helga!".
Um recadinho? Unzinho só! Pode ser?! Quem vem lá...?

terça-feira, junho 13, 2006

O fascinio e o absurdo

Acordei para o dia, como todos os dias são. Com a diferença de que hoje as ruas viraram um pedaço do campo, onde camisas 10 desfilam para esbanjar a honra ou o charme de ser brasileiro. Um dia pelo menos. As aulas foram interrompidas mais cedo, por um motivo nobre que é um jogo de copa do mundo. Assim como foi finalizado o expediente. As cornetas e buzinas anunciavam um dia especial. Era uma espécie de dança da chuva, que nos servia para aplacar a ansiedade coletiva deste trovão, que é o nosso grito de gol. Um grito real e forte que extrapola a competencia de um hino, porque simplesmente simboliza e significa, quando dito por si só. Porque o que esse povo tem de povo, é o que rola com aquela bola invejada e desejada, neste espírito que se traduz somente aqui. Neste dia em que vivemos em um país tão distante e diferente. De uma união sólida e nobre que chega a maquiar o absurdo tão bem estampado das nossas manchetes de jornal. Se gritassemos "chega" assim como gritamos "gol", será que um dia isso seria mais do que uma república de bananas? Um sótão com vista para o mar da américa latrina?
Se interrompessemos nossos dias para finalizar uma historia de banalização e corrupção, não teriamos mais motivos para abrir uma cerveja estupidamente gelada? E escandalizar a euforia de um dia acordar um pouco mais digno para finalmente andarmos pelas ruas com a real felicidade de ser brasileiro?
Se um dia a nossa concentração fosse a mesma que se faz, minutos antes do jogo da final começar, só para poder mudar o fascinio e o absurdo de viver aqui, talvez nossa alegria pudesse ser mais sincera, mais honesta.
E eu confesso, com a pieguice tão típica de um Policarpo Quaresma, que eu desejo isso muito mais do que desejo o hexa.

quinta-feira, maio 18, 2006

15.05.2006

Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada. Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada. Toda forma de conduta se transforma numa luta armada. Numa cruzada. Se tudo passa. Talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo o que eu vi. É fácil ir adiante, esquecer que a coisa toda ta errada. A história se repete, mas a força deixa a história mal contada (inacabada).
(Toda forma de poder - Engenheiros do Hawai)

Violência

Essa cidade que dormiu no colo do medo acordou em pânico quando se deu conta de que não havia ônibus para trabalhar. E seu ritmo febricitante, agonizado no andar apressado das suas ruas, substituiu uma paisagem de abandono. No dia em que todos nós mitigamos nossa liberdade no transito que não andou. No dia em que o medo assumiu todas as formas de poder, e andávamos acuados sem armas e sem proteção. E aquele Estado Paralelo que tanto se falava, rompia suas fronteiras, no dia em que todos nos fomos mais cedo para casa. Compulsoriamente.
E a violência da sua força bruta, que transparece nesses prédios gigantes, foi substituída pela violência do silêncio. Silêncio do corpo frio que experimentou a terra com o coração dilacerado a balas. Eram lágrimas. Dos mocinhos e dos bandidos. Que somos todos nós. Cúmplices.
No dia em que o abismo social se tornou tão raso, que não podíamos nos afundar mais em nossa hipocrisia. Experimentamos o medo e uma cidade vazia.

segunda-feira, maio 15, 2006

Porque decepei a língua portuguesa (errata)

Bom, embora a manifestações dos leitores desse blog seja tão silenciosa, venho por meio desta, publicar uma singela errata em relação ao meu erro crasso de português. Enfim, na ultima postagem no lugar de "guilhotina", escrevi "gliotina" e acabei, por assim dizer, decepando não só o coração bobo, mas também a língua portuguesa.
Contudo, Professor Pasquale já fez uma visita emergencial a Helgolândia e tudo encontra-se devidamente corrigido.
Em nota oficial, Cinderhelga declarou que vem se desentendendo com a língua portuguesa, por motivos de falta de concentração: "sabe o que é, ando falando demais a língua do P (...)". Conteúdos misteriosos a parte, encontra-se salva a "guilhotina" da língua portuguesa...

domingo, maio 07, 2006

A guilhotina

Num dia de trovoadas na Helgolândia...

Cinderhelga: Senhor Bobo da Corte? Pode me fazer um favor?!
Bobo da Corte: Como não minha princesa? O que desejas?
Cinder: Chame o Sr. Coração, temos preparativos a serem realizados: uma nova revolução se aproxima da Helgolândia...
Bobo: Revolução?!
Cinder: Sim, quero inaugurar um “brejo de príncipes” aqui.
Bobo: Mas brejos são para sapos!
Cinder: Por isso que você é bobo! É uma revolução em todos os conceitos da Helgolândia! Até hoje brejos eram para sapos. Mas levando em consideração as nossas estatísticas que demonstram que 99% dos príncipes beijados se tornaram sapos com uma velocidade descomunal, inauguraremos um brejo de príncipes.
Bobo: Mas o que o Coração tem a ver com essa sua idéia maluca?
Cinder: Na verdade, ao lado do “brejo de príncipes” vou inaugurar a “guilhotina das ilusões”. E, para fazer o teste da lâmina, chamarei o Coração.
Bobo: Você esta completamente doida! O teste da guilhotina vai matar o meu melhor amigo e eu não posso colaborar com essa sua idéia...
Cinder: Às vezes você é menos bobo do que eu imagino. Um Coração bobo e um Bobo da Corte só poderiam ser melhores amigos, sempre soube... Mas decepando um Coração, perdemos todas as ilusões. E a Helgolândia será “tranqüila para sempre”.
Bobo: Mas o plano não era “ser feliz para sempre” ? Porque você quer acabar com as ilusões? Não eram elas as responsáveis pelos dias de sol da Helgolândia?
Cinder: Não, elas eram responsáveis por um dia de sol, e uma semana de trovoadas posteriores...
Bobo: Mas porque o Coração tem que ser decepado em nome das ilusões?
Cinder: Para um Bobo parece que se tem que explicar tudo mesmo...Você sabe que além de ser seu melhor amigo, ele adora andar ao lado das ilusões. É só aparecer alguma ilusão que você e esse seu amigo Coração ficam lá feito bobos.
Bobo: Mas eu sou um bobo, nada mais natural...
Cinder: Mas vocês já deram trabalho demais com tantas ilusões e desse jeito eu nunca consigo colocar ordem nesse reino. É só estar tudo tranqüilo na Helgolândia, não demora muito, temos mais um sapo no lugar de um príncipe e por culpa de quem? Das ilusões e do Coração, que faz o favor de deixar que elas entrem na Helgolândia sem nenhuma objeção.
(De repente aparece o Coração no hall do Castelo principal da Helgolândia)
Coração: Vossa Alteza!? Quais as novidades do reino?
Cinder: Tenho uma ótima para você... Inauguraremos dentro de semanas uma “Guilhotina de ilusões” aqui na Helgolândia e você será o nosso teste da lâmina...
O Coração trocou olhares com o Bobo sem entender muita coisa...
Coração: Vai me decepar porque?
Cinder: Para ver se as ilusões não aparecem mais por aqui...Cansei das confusões que vocês aprontam.
Coração: Eu te falei Bobo... Depois que ela colocou o Medo como conselheiro-mor da Helgolândia, iriam acontecer coisas terríveis por aqui...
Cinder: Eu sabia que vocês não gostavam do Medo. Nunca se deram com ele, não? Mas fiquem vocês dois sabendo que o Medo possui uma das melhores qualidades para um conselheiro-mor: a prudência. Aliás, prudência que você e nem esse Bobo tiveram durante muito tempo aqui na Helgolândia...
Coração: Quer saber? Pode me decepar...
Bobo: Você esta louco?! Pronto... Eu que sou o bobo e todo mundo querendo ser mais bobo do que eu... Não suporto mais essa concorrência!
Cinder: É bom que não questione a minha autoridade...
Coração: Eu quero mesmo que você me decepe. Para perceber que não é acabando com um Coração que as ilusões vão embora. Diga-se de passagem, quem gosta mesmo de ilusões é o seu conselheiro-mor e prudente chamado Medo e não eu. São as medidas tomadas pelo Medo, princesa, que te impedem de enxergar a realidade e acabam inundando esse reino de ilusões. Mas faz o que você quiser, Senhorita Autoridade. Eu posso ter lhe causado muitas confusões sim, mas porque decidir viver como foi possível viver. Muitas vezes eu me machuquei, tive retiros imensos na Torre do Tempo, me senti cansado e esfolado. Mas quer saber? Eu não faria nada diferente. Muitas vezes eu estou tranqüilo com o Bobo, divertindo a Helgolândia... Se o amor chega, com ilusões ou não, se ele me apresenta príncipes fantasiados de sapos, se ele me traz dias de angustia por telefonemas que não chegam, se ele me traz dias tristes porque a saudade vem... Eu simplesmente decidi viver, porque sou um Coração e nasci para isso. É essa a minha vocação.
Você fecha as portas desse reino para as ilusões porque teme o amor. O amor que você procura em todos esses príncipes sapos que são só um lado bom e um lado ruim na mesma pessoa. Porque você acha que o amor se procura, não é?
Cinder: E quando se acha, encontramos o “final feliz”, o maior tesouro da Helgolândia.
Coração: Os finais não são felizes, porque acabam. E felicidade não é fim, nem começo, nem meio. É só um dia de sol, que você coloca as mágoas para secar.
Eu sei que o Medo e você fizeram milhões de estratégias para encontrar o amor. O sarcasmo de construir guilhotinas e brejos só poderia vir da cabeça dele...
Cinder: Já chega de ironias, senhor Coração sabido... Continuarei com o meu conselheiro e aguarde a minha revolução. A Helgolândia vai mudar, e tenho dito...
Coração: Pois bem Vossa Alteza... Agora, anota essa aí no seu protocolo de medidas revolucionárias: o grande problema da prudência do seu conselheiro Medo é que ele não consegue enxergar que as ilusões invadem esse reino por um motivo só! O amor, não se procura. O amor acontece.
Por hoje é só, Vossa Alteza às vezes me cansa... Vamos Bobo, chega de questionar a autoridade da nossa princesa...

E o Coração, que era impulsivo demais, se fartou da prudência autoritária da princesa e saiu batendo as portas do Castelo principal da Helgolândia.
Cinderhelga olhou na ante-sala do Hall principal do Castelo e encontrou o conselheiro Medo fazendo planos estratégicos para a revolução que em breve aconteceria. Depois olhou pelas janelas da Helgolândia... Chovia torrencialmente. Era um dia triste.
Ela colocou um jazz para tocar e foi correr alguns quarteirões. Porque as palavras daquele Coração incomodavam bastante...