Domingo, Fevereiro 06, 2011

Poema Líquido

Essa ansiedade de não ser, para se contar quem se é.
Essa maldade de não aprender a esperar para tudo ter.
Essa conexão 24 horas.
Esse monólogo coletivo que aprendemos a chamar de conversa.
Essa desunião que se agarra.
Essa maldade com a imperfeição.
Esses corpos magros e vendáveis nessas ruas opulentas.
[tanto lixo entope nossas canaletas e artérias]
Essa ejaculação precoce.
Esses cabelos alisados.
Esses peitos plastificados.
Esse calor.
Esse frio.
Esse tempo que corre antes mesmo de acontecer.
Esses acontecimentos que se perdem na falta de tempo.
Essas histórias que se misturam sem começo, nem meio nem fim.
Essas pessoas em série.
Esses romances abortados.
Essa felicidade de tarjas pretas.
Esse grito abafado.
Essas palavras não construídas.
Essas mãos nunca dadas.
Esse desejo com cobertura extra.
Esse consumo.
Esse lixo.
E tudo o que não se renova.
Essas mensagens para não dizer nada.
Essa manutenção de cordialidades.
Essa engrenagem podre.
Essas coisas.
Essa indiferença.
Essa liquidez que tem transformado o amor em uma brincadeira de mau gosto.

5 comentários:

Adriana ♣* disse...

essas máscaras que não caem...
esses personagens...
essa hipocrisia nojenta...

arghhhh!

Adriana ♣* disse...

:(

brincadeira tem que ser leve e feliz!

pena que poucos entendem...

brunanehring@gmail.com disse...

Helga, está na hora - e já faz algum tempo - de invadir as editoras. Estou arrepiada com teu poema líquido, ele me traz, indelével, a sua voz e tenho vontade de correr até vc para beber na aparente serenidade do
seu rosto. Engano...

Joao Xico disse...

querida, adorei! adoro sua escrita! Sobre as convenções sociais, depois te mostro um poema do meu pai..Saudades de vc! E das lutas nos carros...rs bjo grande, joao

Joao Xico disse...

querida, adoro sua escrita! essas msgs somem e ai vou eu de novo....Sobre as convenções sociais, quero te mostrar um poema do meu pai! Saudades de vc! e das lutas no carro! rs bjo grande, joao