Sexta-feira, Maio 15, 2009

A raiva é um sentimento de unhas bem vermelhas

"Everyday I love less and less /I can't believe once you and me did sex/ It makes me sick to think of you undressed/ Since everyday I love you less and less/ And everyday I love you less and less/ You're turning into something I detest/And everybody says that your a mess/Since everyday I love you less and less" (Kaiser Chiefs Everyday - I Love you less and less)

O sofrimento abandonou o meu peito. Partiu trôpego, cambaleante, seguindo sem direção. Mas não me deixou por livre e espontânea vontade. Foi enxotado pela raiva, que veio se impondo com potência, como quem sabe a hora certa de lavar a ferida. Com água, sabão e methiolate.
Ela chegou dando vida a todos os barracos desfeitos em nome do meu orgulho. Ela chegou berrando sobre a minha idiotice.
A raiva é uma mulher determinada. Um sentimento de unhas bem vermelhas, que desfila com uma saia curta e pernas torneadas, só lhe para provocar e fazer você se arrepender daquilo que deixou escapar. A raiva pisa com um salto bem fino sobre o dó, tira a casquinha da tristeza com os dentes e ri. Ri desesperadamente.
A raiva é terrível. Se depila indecentemente, veste lingeries de renda e sutiãs de bojo. Usa decotes venenosos e morde os lábios.
A raiva marca o encontro, paga o jantar e lhe dá um beijo. Desses de tirar o fôlego. Para depois sair de cena. Porque a raiva não quer nenhum amor. Ela não vai te convidar para subir. Vai te abandonar após ter a certeza de que seu pau está bem duro e você está doente de tesão. A raiva quer deixá-lo com olhos desejosos atrás da porta, para então lhe dar um sorriso cínico: “bata uma punheta pensando em mim”. Porque a raiva é sádica. A raiva é foda.
A raiva não tem fome, fecha a boca do estômago. A raiva não come nada. É uma mulher magra, que corre 5 quilômetros por dia ouvindo Janis Joplin até doer os tímpanos.
Mas a raiva tem sede. Muita sede de vingança.
A raiva não tem barriga, tem abdômen. Não tem bunda, têm glúteos. Mas não esconde sua frustração: a raiva tem celulite.
A raiva não fala. É bulímica: engole as palavras em seco e vomita de ódio depois. A raiva é dura. Calcula a vida com frieza. A raiva é só. Estupidamente sozinha.
A raiva chega no peito, destrói a pena, desqualifica o amor.
A raiva me dá meia hora de massagem no ego, relaxa a minha dor e me deixa dizer.
Dizer o que não disse.
A raiva me dá coragem. Me deixa teclar tudo vorazmente. A raiva me permite.
Permite-me dizer. Que você é um tremendo canalha. Um baita de um filho da puta!

6 comentários:

Janaína M. Macedo disse...

Me fez sentir raiva...
Mas como hoje estou feliz, simplesmente rio daquele dia em que a ela passou por aqui.
Parabéns pelo seu Projeto.

geo. disse...

eu sei do que você fala, e sei o que sente. e é isso que sinto agora.
faz pouco tempo que comecei com ela, que conversei com ela. mas me parece que preciso um pouco mais, não é por mal, mas é pra me livrar, me libertar de um "canalha".

que venha com mais força, com suas unhas pintadas, e nenhum perdão. pelo menos agora.

beijo

Felipe Lucchesi disse...

Uau !!! Só o título,arrepia por si só ! risos
Ótimo !

Clara Lemos disse...

Interessante essa história de raiva. Queria conhecê-la melhor. Talvez mais valha uma raiva do que um amor que não se resolve, por irresolvível. Acho que eu preferia uma raiva nesse momento. Mas tenho amor que não cabe no amor que eu tenho...e isso dói muito...

Clara Lemos disse...

Interessante essa história de raiva. Queria conhecê-la melhor. Talvez mais valha uma raiva do que um amor que não se resolve, por irresolvível. Acho que eu preferia uma raiva nesse momento. Mas tenho amor que não cabe no amor que eu tenho...e isso dói muito...

Blog da Bruna disse...

resolvi deixar o comentário aqui, depoisde ter falhado em mais tres...
Para te dizer que em todos os seus textos há relampejante o quão é grande sua necessidade de escrever. E hoje mesmo vc citou alguém que disse que QUEM TEM NECESSIDADE DE ESCREVER JÁ É AUTOR..
NÃO MUITOS BLOGS POR AÍ COM A QUALIDADE DO TEU. Beijos Bruna